
ATAQUE FRONTAL
Data 31/12/2007 13:03:29 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| ATAQUE FRONTAL
Senhores da governança: O povo não é criança, Que iludam, constantemente. Vosso eterno passear Acaba por semear A revolta em toda a gente!
Mudai a legislação, Porque nem só o patrão Tem direito de viver. Isto vai de mal a torto: Trabalha-se por desporto, Ou então… para aquecer.
Venha mais austeridade; Que a que temos, na verdade, É mesmo insignificante! Ganhamos tanto dinheiro, Que o nosso magro celeiro, Em miséria é transbordante!
Mirra a velhice, a infância, Num clima de intolerância, Que a sua voz abafou. Onde está o mundo novo Que prometeram ao povo? Certamente naufragou…
Em sorrisos e passeio, Banquetes e devaneios, Sugais o sangue à pobreza! Tornando-lhe negra a vida, Tereis, em contrapartida, Farta e cheia a vossa mesa!
Vede a filha do pedreiro: Seduziu-a um engenheiro, E leva um filho nos braços! Deixou-se ir, ingénua, em lérias… Opróbrio, escárnio e misérias, Eis o rumo dos seus dias!...
Humildes: não tendes lei Que vos defenda, bem sei! É esta a justiça humana! Só não sereis ultrajados, Se lutardes, aliados; Não poupeis quem nos engana!
Assiste-vos o direito De exigir todo o respeito Pela vossa profissão! Ninguém será indigente Se trabalhar dignamente Para ganhar o seu pão!
Amigos, essa revolta Que vos leva, à rédia solta, Ao sabor do vendaval, Não é caminho seguro. De olhos postos no futuro, Tentai salvar Portugal…
Partidos, coligações; Governos, oposições, Cessai guerras fratricidas! Vede a nossa pobre gente, Que aguarda, constantemente, As promessas esquecidas!
Tenha em vista cada um Antepor o bem comum À vida particular. Ser ministro ou presidente Sabe bem a toda a gente, Mas poucos sabem mandar…
Meus pacatos cidadãos: Que força tendes nas mãos, Sem saber utilizá-la! Reprimis vosso rancor À vista do ditador, Que ordena, e mais ninguém fala…
Que ignorância ou cobardia A todos nós atrofia Movimentos e vontade! Vamos: um seja o primeiro: Matando o vil carcereiro, Teremos a liberdade!
Sem vaidade ou presunção, É tempo de dizer “não” A quem nos rouba o sustento. Deixar, de livre vontade, Ultrajar a dignidade, Não tem qualquer cabimento!
Exigir a toda a gente Que trabalhe activamente, A bem da comunidade, É cumprir nosso dever. Vamos, sem desfalecer, Espalhar fraternidade!
Obedecer ou mandar, Não deverá separar Os homens que são irmãos! Mas vemos uns, no poleiro; Outros, rotos, no chiqueiro… Por isso não dão as mãos!...
Misérias geram rancor; Tem cautela, ditador, Que pode vir a mudança! Agora, ris-te, cobarde! Não chores, quando for tarde! Justiçar, não é vingança!...
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