
A lenda da feiticeira
Data 29/09/2013 19:20:55 | Tópico: Poemas
| No tempo de reis e fanfarras Em tempos que já lá vão Vivía uma velhota sózinha Cuja honra estava em questão. Dizíam que era feiticeira Mas ela sempre se negava Ás vezes quando estava só A coitadinha chorava. “Porque é que me chamão bruxa Se eu nunca fiz mal a niguem, Será que é porque eu vivo só? Então tenho que viver com alguem.” As estações foram passando Outono tornou-se em inverno E os insultos dos camponeses Faziam-lhe a vida num inferno. Um dia chegou um cavaleiro Que vinha ferido da batalha Era filho de um nobre local E vía-se que a morte não falha. Desvairado e desesperado O pai levou o seu filho á velhota Sempre pensando que ela Só lhe ía fechar a porta. Pois o nobre tinha sido dos pióres Críticos da velhota pobre Pois ele achava que tal bruxa não devia De morar tão perto de um nobre. Mas o amor pelo filho era tanto Que ele resolveu tentar tudo possível Para lhe salvar a vida E baixou-se ao mesmo nível Da velhota que já estava A esperá-lo ás portas Encostada a uma bengala Com as costas todas tortas. “ Ó velha bruxa disseram-me Que tu tinhas mesinhas santas Que podem ajudar meu querido filho Cujas feridas e dores são tantas.” A velhota ergeu-se e sorriu Ao ouvir o suplicante Pensou ainda em ir-se embora Mas falou-lhe assim nesse instante: “Com esta tarefa que me deu Eu vou tentar meu senhor A ajudar este filho seu Para que ele fique melhor.” O nobre que só tinha pensado Que a velha o iría insultar Beijou a mão da velhinha E silencioso começou a chorar. “Se tu fizeres isto por mim Senhora eu te prometo Que se alguem mais te insultar Sou eu mesmo quem o espéto.” A velha fez o que tinha prometido E salvou a vida ao cavaleiro Cujo pai ficou tão feliz Que lhe deu todo o seu dinheiro. Os anos passaram rápidos E da velha não se ouviu mais E o cavaleiro herdou tudo Que tinha sido dos seus pais. Um dia um nobre rival Que queria as suas terras E que tinha mais dinheiro Começou com novas guerras. Quando tudo parecia perdido E o usurpador para ganhar Os soldados do cavaleiro Começaram a multiplicar. De um momento para o outro Naquele campo de sangue e de morte Milagrosamente ele ficou com numeros muito superiores Assim lhe mudou a sorte. Depois da batalha acabar E o inimígo ter sido vencido É que o cavaleiro percebeu O que tinha acontecido. A velhinha já no céu Mas com uma dívida ainda pra pagar Mandou o dinheiro que o pai lhe deu Pra armas e soldados comprar. Dom Sancho I então mandou erguir Um mosteiro em Alcobaça Em honra de seu pai Afonso Henriques E ainda da velhinha Graça.
Este poema é ficção. Apesar de Dom Sancho I ter completado a construção do mosteiro de Alcobaça, não foi ele quem o mandou construír. Essa honra coube a seu pai, e primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. E a velhinha Graça, essa infelizmente é apenas um produto da minha imaginação. Francisco Letras
agora só cá faltava essa parva
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