
No cume calmo do meu olho que vê
Data 27/09/2013 14:20:05 | Tópico: Poemas
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Assenta a sombra sonora do pôr do sol. Acima do monte, a paisagem urbana reduzida em escalas de prismas da minha retina.
Se fecho um dos olhos, com o dedo em riste contorno a linha do horizonte como se a desenhasse. Daqui, meu mundo cabe na palma da minha mão.
Bato palmas ao sol que vai. A nuvem, densa, acima do horizonte, contrai a forma oval do astro-rei e deixa-o polígono retangular e flamejante.
O pôr-do-sol-barra-forte. O tempo passando e a barra afinando. O polígono laranja sinalizando que lá vem lua lá vem rua escura e as filhas de Thomas Edison.
Lâmpadas da minha insignificância! Apaguem minha ignorância para que eu possa ver além dos olhos crús. Para que eu compreenda o sol, além da barra, além da forma oval...
Minha descrição do mundo objetivo, jaz na minha subjetividade enclausurada nessa pele humana, na minha condição orgânica, na visão limítrofe dos cones e bastonetes.
Ó sol, menina dos meus olhos, ó cidade acendendo luzes para as noites que inventamos porque não podemos ver tudo.
Não podemos ver o eterno dia e a noite sem fim que é tudo, sempre.
O sol não nasce, nem morre. O sol permanece. Inerte às convenções de minúsculos seres girando, com força da gravidade no espaço sideral.
Antes de ir, queime minha pele sol. Chamarei-te quente, e lembrarei de ter estado em tudo, mesmo sem ver o todo, por intermédio da sua luz.
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