
À Ophélia de Shakespeare
Data 24/09/2013 16:14:47 | Tópico: Poemas
| Está morta Ophélia em ataúde fechado - matou-se! Seus olhos selados, longínquos, rasos d'água dois pássaros caídos vindos do passado. Suas mãos em flôr dois barcos sem amarras, sem côr. O crepúsculo seu corpo inteiro, imóvel, parado... Ophélia matou-se! Matou-se! E de braços em Cruz sobre o peito, segue Ophélia pela morte, sem jeito, como segue um romeiro ... E aonde irá?!... Qual será seu mote?! Lívida a face. Leva nos olhos a morte! Dois pássaros caídos dum céu aberto. Um céu que é longe mas que já foi perto. Ophélia matou-se! Matou-se! E com estrelas repousando no regaço, botões de esperança a cada passo, procura ainda sem descanso, jaz morta arrefecida, no abraço do rio, p'la face do seu amado ...
Ricardo Louro na Quinta das Vidigueiras em Reguengos de Monsaraz
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