
Ode a São Ninguém
Data 18/09/2013 09:58:06 | Tópico: Poemas
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Bendito, louvado seja, São Ninguém.
Os ateus clamam a ti com dentes cerrados, quando nos becos escuros dos limites racionais.
São Ninguém, protetor de todo mundo. Fazei da tua inexistência a muleta de fé que preciso para cruzar meu caminho inteiro.
Que no meio do caminho, nas pedras, ou nos abismos acidentais, eu possa clamar a ti, São Ninguém!
Alívio amorfo da minha crença, aliança entre o lá, o aqui e os confins do além.
Egrégora invisível, politeísta, pairando sobre minha cabeça e nos raios inesperados no horizonte seco, onde a vista alcança.
São Ninguém dança à luz de luas que nascem de dia. Luas afobadas, exibidas, orgulhosas em mostrar que a divisão das coisas é mera convenção arbitrária das vaidades dos filhos de São Ninguém.
Diadorim, noite néon. Escuro-claro, a luz da escuridão. São Ninguém vive ali, no altar do paradoxo, na curva da interrogação.
Sãos e salvos, Salve o São! Ninguém condenado. Salve São Ninguém no feriado e nos dias de trovão.
Amém todos os santos. Paz, amor e feijão.
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