
“ corvus occultus fronde”
Data 03/09/2013 11:56:24 | Tópico: Poemas
| "O vate é proscrito que vaga na terra, Bem poucos lhe entendem o estranho falar; Qual rocha batida das vagas do mar, Suporta dos homens tormentos e guerra; Dos vates a pátria no céu achar vamos, Deixemos o exílio, minh´arpa morramos!" E a nova corda estala; outro gemido Que sai dos seios da harpa, e é dado às brisas.”
A Harpa Quebrada - Joaquim Manoel de Macedo
Gentio néscio és, quiseste dissimular o corvo na folhagem, quando roxas, flores dos lilases desabrochavam na paisagem, quando nas ruínas miseráveis de aldeias abrigar, almejaste sons emanados das palavras sutis que penosamente sagraste.
Não viste: aos laivos deitados nas esguias pedras das azinhagas, que te afastassem - jamais te suporiam ser trilhas - das pragas ; pobre lacaio pretensioso, falto és da argúcia, na desdita içado! Elas, em confiança, eram as dos cascos de nefasto corcel alado.
Veio chuva, abatendo-se sobre a terra nua tão cruenta procela, demolindo os restos das cercas que às palavras davam cautela, enlutando, tornando em lama toda trilha que fora ali demarcada,
Lembra-te bem: - comemoraste assim como a um dia de outono, sôfregos versos como ao som de clarins ocupaste real um trono, sorvendo tantos sons que trazia no bojo da brisa tênue rajada.
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