
QUEM FOI QUE DISSE QUE O AMOR É UM TEMA "BATIDO", COMUM, MUITO EXPLORADO?
Data 23/08/2013 10:52:58 | Tópico: Prosas Poéticas
| DEFINIÇÃO DO AMOR
(fragmentos) (Gregório de Matos Guerra)
Mandai-me Senhores, hoje que em breves rasgos descreva do Amor a ilustre prosápia, e de Cupido as proezas. Dizem que de clara escuma, dizem que do mar nascera, que pegam debaixo d’água as armas que o amor carrega.
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(...)
O arco talvez de pipa, a seta talvez esteira, despido como um maroto, cego como uma toupeira
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E isto é o Amor? É um corno. Isto é o Cupido? Má peça. Aconselho que não comprem Ainda que lhe achem venda (...)
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O amor é finalmente um embaraço de pernas, uma união de barrigas, um breve tremor de artérias Uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um reboliço de ancas, quem diz outra coisa é besta.
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Quem foi que disse que o Amor é um tema “batido”, comum, muito explorado?
Errou feio e muito feio!...
Podemos citar como exemplo de que esse tema é inesgotável a obra poética do barroco (Gregório de Matos e Guerra – 1636/1695 – Brasil Colônia) como prova irrefutável de que nunca o Amor será um tema comum, “batido”, muito explorado, cansativo, etc.
Sempre haverá um Romeu e uma Julieta, um Dante e uma Beatriz, um Peri e uma Ceci (Cecília), um Bentinho (Bento Santiago) e uma Capitu (Capitolina), etc.
Segundo o poeta baiano o Amor é tudo (união de pernas, barrigas, artérias, bocas, veias, balanço de ancas...), e diz tudo isso sem beirar ao exagero, sem chegar ao calão (linguagem medíocre, chula), sem nenhuma ofensa, diz com a beleza de quem sabe dizer.
Com os fragmentos acima entendemos claramente toda a força de sua poesia e também o porquê de sua alcunha “Boca do Inferno” ou “Boca de Brasa”, fato que lhe causou muitas perseguições e exílios.
Essa poesia completa tem cento e sessenta e nove versos divididos em vinte e uma estrofes de oito versos (oitavas) e uma de nove, colhi apenas as mais interessantes para o tema (assunto, motivo) em questão:
O Amor é um tema “batido”, comum, muito explorado?
E o poeta do Barroco (1601 – 1778) ainda ironiza o Romantismo brasileiro (1836 – 1881): “Quem diz outra coisa é besta...”
Augusto de Sênior. (Amauri Carius Ferreira) (FERREIRA, A. C.)
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