
ROTINAS HUMANAS DE UM CÃO
Data 20/08/2013 01:09:07 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Naquele dia, ainda não era dia Meu cachorro chorou Tinha perdido seus primeiros dias Tinha perdido sua infância de cão Ah! Nem tivera infância Mas tinha um osso, sua vida, e bastava (se)
Sua primeira companheira suicidou-se A segunda fugiu com um cão safado da cidade vizinha A terceira sem latir, mudou-se pra outra cachorrada Mas deixou um filhote lindo, deu trabalho, mas era filho legitimo
Que vida de cão, sem amigos, sem prazer Sem casa e sem cama, nem berço pro filho Não tinha nada, nem pente, nem dente, nem um sofazinho velho Mas sobrou um cantinho piolhento pra dormir, bem no sereno
O cão líder da comunidade De latido forte e intimidador Latia sangrando o silencio do meu cão Mas acalentava como pássaros sem asas Que voavam em seus sonhos
E um trem em silencio viajava no sentido dos trilhos do eterno Silencio iluminado de luzes apagadas onde o fim era sempre o começo Loucos homens que se matam, a si, e matam, e a mim E nessa louca viagem de cão, a luz do sol quando dorme é uma lua em gestação
Latidos e mordidas são feridas que não se cicatrizam E a justiça não feita e o cãozinho morto na estrada? E as estradas sem fim e as sombras sem árvores? Os gritos sem ouvintes?
Pobre cão sem salário Mudo cão e otário, Sem advogado, sem juiz, sem juízo Dorme cão amado, esse mundo é todo seu.
|
|