
EVENTO IX - 2013 - A Poesia é um descobrimento...
Data 13/08/2013 03:29:36 | Tópico: Evento
| I . A poesia é... um pouco mãe.
Aquece corações indiferentes, num misto entre o agasalho e a mãe. Se não der ouvidos a ela... vai passar frio!
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4º Lugar--ALEMTAGUS
II . A Primeira de Outras Valsas
Olho para ti e deslizo-te os contornos do corpo pelo aparo da caneta desenhando letras aleatórias numa folha virgem de papiro, solto-a ao vento, onde voas também, livre por esse mundo de loucuras e de coisas novas, mas com rugas de velho marinheiro que galga os sete mares ao som dos gritos estridentes das harpias que roubei aos gastos alfarrábios de mitologia. Cada teu olhar é um verso que me rima o pensamento por vezes sóbrio e que se partilha em terras distantes com os teus desejos. Agora ladram os cães. Já não há horizontes ou fronteiras, as roseiras perdem o cheiro e as vontade humana deixa de ser apenas carnal, nasce o sentimento e a vontade de viver o mundo como em tempos fora sonhado, somos gente! A palavra não se gasta, é dita e respeitada quando se ouve o barulho das ondas a chegar à costa, tudo tem significado, até mesmo a poesia. As nuvens desenham-se no fundo azul de um desconhecido infinito, a lua apadrinha as estrelas que insistem no seu brilho e a chuva, quando cai, liberta aromas que incentivam ao sexo feito amor. Tu fazes de mim tua metade, fazes de nós tanto verso. És a descoberta de um novo pedaço de terra que se extingue neste mar que nos abraça, dança que se passeia pelo meu corpo cada vez que me segredas uma nova palavra, um velho desejo, o eterno querer ou teu simples poema. Eu serei o teu escritor, onde farei de ti minha princesa a cada pedaço de outro amanhã, prometida valsa que nos faz um só.
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III . Deserto
Calor, muito calor É o que sinto, em este imenso deserto Cansaço, e o corpo cheio de suor Em direcção a um destino incerto.
É uma ingrata viagem Pelo orgulho ou pela salvação? Na loucura ou alucinação Ao longe vejo tua imagem Uma formosa miragem Que manda-me ir para norte E deseja-me boa sorte.
Ao fim de tanto caminhar Encontro-te de braços abertos. Não és uma miragem, és real E caio no teu corpo celestial.
“ … Enquanto guardo a caneta e o caderno, Olho a volta e vejo um mar de areia dourada. Junto as forças que restam para o resto da jornada. E procuro por ti, em este mortal inferno…”
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IV . Torneira de Vida
Deteriorar-te em frente a tua agonia, me faz querer vomitar orgulho desnaturado e tardio Muitos são os que rezam a vingança de alma lavada, e que em súbito se autoflagelam Dentre esses e outros, sois eu quem empunha outrora a adaga que arde em seu peito Mostra que o pobre e velho já não se encontra tão rico e novo como seu antepassado Fortifica suas estruturas com papel e cuspe, apoiou os pilares da construção em areia Imensurável foi a sua compaixão para com aquele que lhe trouxe pudor Melhorar de forma cognitiva naquilo que antes parecia irrisório Martirizar seus pecados em sua mesmice descarada e deslavada de ódio Averigua tua compostura, alma que se prende a tortura Lava tuas mãos no rio, lava teus pés no ribeirão, mas lava tua face na pia Há de haver mais simplicidade contraditória do que a água que escorre da torneira da vida.
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V . digo-me dínamo
tudo em mim é dividido dádivas, dívidas, dúvidas e tantas divagações me divido no que penso me divirto no que sinto indivíduo labirinto que eu, sujeito, tomo assento ando em débito automático e portanto, tenho pressa cada passo é uma promessa de um cálculo matemático
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1º Lugar---LUSO DE OURO!--PEDROBITO
VI . POESIA NO CORAÇÃO
Poesia é a angústia constante de um sonhador, a insana vontade de perpetuar os seus sonhos, mastigá-los à mesa da imaginação, fazê-los História, e amanhecer com eles na realidade.
Poesia é uma expressão de sentimentos em turbilhão, é uma viagem inebriante às entranhas do pensamento, é o inquieto desfolhar das páginas da memória, o restaurar das ruínas do passado, para um futuro melhor.
Poesia é um esboço da vida de alguém, traçado a sangue, é uma lágrima derramada por quem sofre, é um nó na garganta, um silêncio ensurdecedor, é um grito tatuado no íntimo de cada um.
Poesia é uma simples mas intensa melodia, vincada pelo ritmo galopante da paixão. É a magia de um agradável envelhecer a dois, é a cegueira que se avista nos olhos de quem ama.
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3º Lugar-- LILIANA JARDIM
VIII . Descubro-me na descoberta de ti
Descubro-me nesses versos em que me desnudo num serpentear de palavras, rimas audazes que me provocam e me desfloram, velozes desse piedoso invólucro de cor, astuto amor
Descubro-te nesse vaivém de vogais, planando o verbo desse meu (a)mar profundo, vagando o mundo de ser ardor, melodia rascunhada no peito, calor fina flor, libertando-se…. poesia d`amor
Descubro-me na descoberta de ti poesia.
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IX . Poesia/Vida
Na verdade nunca me conheci E sempre que me desliguei da poesia Sinto que algo perdi.
O tempo foi passando Ás vezes vinha a inspiração, Depois eu esquecia E perdia-me na desmotivação.
Entretanto sem qualquer promessa Tentava encontrar-me novamente, Inspiração não é algo que se peça É algo que se sente.
A poesia é um descobrimento Nunca sabemos o fim do que vamos começar, No fundo é como a vida... Quem sabe a última palavra que irá narrar?
Tanto a vida como a poesia, Como sabemos o que nos pode prometer? A cada linha vivida Uma nova forma de escrever.
Assim é esta promessa Chamada poesia, Promessa imprometida Descoberta de mais um dia.
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X . Qualquer coisa assim
olhar ao redor prensando a mente a procura d’algo espetacular ingredientes raros destituídos de prévias degustações pra temperar alimentos carregados de emoções em frêmitos de significados só pra conceituar a poesia quando nela não cabem sentimentos detalhados por imagens, mas alienação d’uma realidade que seja reconstruída na estrutura insana das palavras.
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XI . Um bom resultado.
Ao escrever, não sei onde vou chegar. As palavras dizem onde querem ir. O resultado pode assustar, ou encantar, Porém não o mudo, mantenho seu existir
Outro dia, escrevi uns poucos versos à minha amada, que eu tanto desejava Porém, o resultado foi reverso... A mãe dela leu, e ficou apaixonada.
Arrependido por não ter o seu nome escrito Nos meus poemas, fossem eles verso ou prosa Trocar a amada, linda pomba, não admito, Por sua mãe, uma cobra venenosa.
Fui contratar um sujeito pobrezinho Que assumisse meu poema, e o resultado... Acertei-me com minha pomba, fiz o ninho, E hoje tenho como sogro um coitado.
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XII . Poesia é descobrimento
Rio corre para o horizonte, então, o meu destino é voar? Não tente compreender, nunca poderá ver com mesmos olhos... Nem faça muitas perguntas, não existem todas as respostas... Tente acalmar essa curiosidade singular, o excesso de zelo, querer padronizar o extravagante, a pequena maldade, bizarrace, desconfiar do insuspeito... Mas não desista de ter sempre o prazer de ler versos. Atreva-se, atire-se e não esqueça: jamais deve tentar compreender.
Rezo sempre para que tais pecados não permanecem vivos na memória... Querer compreender o incompreensível, explicar o inexplicável, desanuviar o intrigante, singularizar os plurais, simplificar o excêntrico, acomodar o incomodado, aplacar o curioso,,, A poesia é mistério constante, é súbita, repentina e imponderável. Finalizar um poema, o verso certo, aquela rima, é arte anunciada, gloria proclamada, um descobrimento sob aura de harmonia, é atingir uma coisa imprevista.
Espelho de água brilha como lâmina de adaga, as baionetas não enferrujam na chuva... Mantenha as ideias no caminho apregoado, deixe surgirem revelações, descobertas e perdas. Um verso pode não ser o esperado, pode resultar um poema espalhado, não propalado, inoticiado, até mesmo inopinado. Ainda mais difícil é prenunciar um verso, nem a alma dos mais antigos poetas pode. Um segmento de linha curta, um presságio, uma poesia diferente, indestinada e inesperada: - ninguém sabe como será lida e acolhida
Veloz o vento voa, varrendo velas no vasto azul... Não tente entender, a poesia é um descobrimento. você não pode prever um atingir a uma coisa imprometida.
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XIII . O despertar do corpo poético
Tudo se descobre perto do sonho, onde se fecunda o ser, corpo e a vida, os olhos fecham-se, a continuidade é uma fronteira sem limites atravessada num fenómeno poética entre as palmeiras da alma e o raiar da noite solenemente inequívoca.
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XIV . Onirismo
Caminhava pela tranquilidade de uma umbrosa mata. Descortinava o trilho a passo.Ao contornar uma rocha atapetada de virente musgo divisei,numa clareira, um espelho de água.Tufos espessos de variadas flores multicores circundavam-no, sob a quieta proteção aprumada de esguios sinceiros. Cenário silente de floral cromática sugestiva. Nenhum som perturbava ou animava o silêncio. Por alguma razão Prometeu oferecera a luz aos mortais, e os poetas tornaram-se no canto dos pássaros, em revivescência musical. Ganhou voz a tela , tornando audível o poema. Eu saíra do meu labirinto fugindo ao estouvamento alado de Ícaro.Libertei-me do peso das amarras para vogar embalado no remanso do ninho de Alcíone, à deriva de tanto mar,onde se espelha o infinito. A vida só se completa na melodia dos poetas.
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XV . DINÂMICA DE NÓS
De repente, descobri: no silêncio dos meus lábios nasce a palavra dos teus na reação dos teus olhos energizo a luz dos meus e o teu gemer nos meus braços é o que me faz feliz e o movimento do teu corpo é a minha força motriz. - e o que nos liga é corrência, é sinergia, é frequência, é sincronia é influência, é mutual dependência.
E poesia.
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2º Lugar---LUSO DE OURO!--NELIAXP
XVI . POEMA IMPERFEITO
Hoje escrevi palavras Nascidas da emoção E desse entusiasmo Fui rabiscando no papel Toda a minha inspiração... O tempo passou E foi tal o cansaço Que sobre o meu silêncio adormeci, Deixando-me embrulhar Pelos sonhos de Orfeu Onde a principal personagem Era eu! Galguei montes e rios Aceitei vários desafios Pude a natureza contemplar Estive em todo o lugar Nesse sonho onde tudo acontece E quase nada se esquece... Mas, que decepção quando ao acordar Quis o verso continuar! Vi que afinal, Para desespero meu Um pássaro tinha debicado todas as palavras E ninguém podia entender... E as sílabas que ficaram não se podiam ler! Tentei reconstruir todo o texto, Mas em vão, Já fugira a inspiração Já nada estava do meu jeito Ficando o poema imperfeito... O vento norte entrou pela janela E num relance, quase sem dar por ela Voaram as palavras que restavam... Ao olhar vi o pássaro ali, Imponente como um pavão Quase ao alcance da minha mão! Rasgou-me o livro, Debicou-me as palavras E deliciado pela faustosa refeição, Veio no meu colo poisar Deixando em seu lugar Uma pena como recordação!...
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XVII . Descobrir o inusitado
Debrucei-me no improviso, estudei a sua origem. Telemetria mede a miragem de nuvem feita diva desenhada em transparências e cheia. Água pura. Derramando-a na bravura e revolta da maré viva.
Serena e segura, desgarra num fado dedilhado canções embaladas num esverdeado marulho. Agora calmosa quase aprazadora vai invadindo e afagando o gigante que já sossegou o engulho.
Ao longe hà uns rabiscos prateados... Lua cheia. Atravessando a neblina frescal, ténue e aluada. Seduz a selenita, mergulha e vem beijar a areia.
Observante em pervigília, exorbito emocionado neste descobrimento de forças exotéricas vivas espacejando o pasmo até este poema inusitado.
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2º lugar---LUSO DE OURO!--AUGUSTOCOLA
XVIII . Brilhante de Vidro
O poema perdido eu choro Em outro achado eu procuro Além da casa em que moro Sou medo por cima do muro
Ao ser poesia eu minto E por toda a mentira eu lhe juro Na miragem que vejo e não sinto Sou brilhante do vidro mais puro
Ávida nem sei escutar A voz que agora eu procuro Sou canto querendo calar Sou medo do claro e do escuro
O sorriso perdido eu choro Em outro achado eu procuro Além da casa em que moro Sou medo por cima do muro
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XIX . Uma partida de futebol
A partida de futebol está eletrizante, " pau a pau", gol de um lado, gol do outro. Finzinho do segundo tempo, já nos acréscimos, o juiz marca penalidade máxima. O melhor cobrador se prepara, as torcidas silenciadas pela expectativa, o jogador corre para a bola e "apagão", a luz apaga e tudo fica no "breu ". A luz não volta e todos vão para casa no escuro, sem conhecerem o resultado final. O apagão atingiu toda a cidade.
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XX . NÁUFRAGO
nau a deriva, mar crispado, cais e estiva, minha calmaria; ‘incontrolável’ luar eclipsado sombra efetiva céu estrelado terra inserida causas perdidas ganhas num verso o reverso findado morro em poesia...
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E L-P
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