
PAÍS DE DELÍCIAS
Data 23/12/2007 17:10:45 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| PAÍS DE DELÍCIAS
Meu nobre Portugal, quem te conduz, Na senda do progresso e dos aumentos? Quem poderá comprar roupa, alimentos, Se o dinheiro não chega para a luz?!
Essa luz, que tão bem nos ilumina, E só nos deixa às cegas, quando calha… Faltando, os nossos nervos arruína, Dificultando a vida a quem trabalha.
Puxa, Sr. Ministro! Outro passeio? Pois claro! Isto é zelar pelo meu povo! Sabe? Não me convence o seu paleio. Promete, e nunca dá um mundo novo.
Promessas? Estamos fartos. Excelência! Discursos, não nos enchem a barriga! Cuidado! Se nos falta a paciência, Vai sair-lhe bem cara essa cantiga…
As dívidas alheias que pagamos, Neste regime, onde há “democracia”, As misérias que temos, empenhamos, Sendo este o nosso pão de cada dia!
País maravilhoso e progressista, Aonde há mais comícios que trabalho. Das torres dos palácios, que se avista? Mendigos, aos milhões, sem agasalho…
Que mudança foi esta, Santo Deus! O que significou revolução? Ficarmos sendo apenas europeus? Termos cada vez mais falta de pão?...
Lá de longe, faláveis contra a guerra; Contra o regime atroz, de ditadura! Deu-se a reviravolta; e a nossa terra Está livre; e, de pobreza, há mais fartura!
Elucidai o povo, apartidário, Que já não sabe mais o que fazer! Coitado! Bem que estica o seu salário, Não consegue jamais sobreviver…
Se defendeis assim a classe pobre, Que confiou em vós, nas eleições, Tomai cautela; pois, se alguém descobre, Ainda vão chamar-vos aldrabões…
Não vos queixeis, depois, quando for tarde: A fome dá fartura de rancor! Encheis a pança, sem fazer alarde, Ante a revolta do trabalhador…
Se antigamente não se abria a boca, Com medo dos castigos, na prisão, Na santa liberdade, que nos toca, Pode-se hoje à vontade ser ladrão…
Fascismo… reacção… democracia… Vocábulos sem fim nos ensinaram! Quatro anos, bem contados, dia a dia, E em todos eles, só nos enganaram!
Se o dinheiro ia para o ultramar, Que fazem dele, agora, meus senhores? Gastam-no, enchendo a mula, e a passear, E este país é casa de penhores…
Se a força da razão já não impera, Então mandemos tudo à outra banda! Pretendeis transformar o povo em fera? Pode-vos devorar… é quem mais manda…
Seria bom; porém, tão desunido, É presa fácil, como vos convém! Protesta, cada um, desiludido, Sem medir o valor que a união tem…
À morte o “orgulhosamente sós”! Urgente é sepultar tempos passados! Idolatrai, com fume, o novo algoz, Mas “orgulhosamente” depenados!...

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