
Dia dos Avós
Data 24/07/2013 10:23:11 | Tópico: Poemas
| «Casa do Pombal - Versão 2» Dia doa Avós – 26 de julho 2013
Até ao cimo da íngreme ladeira, ficava a casa de enorme paredes cercada. Dava-lhe acesso o portão de madeira, de aldraba negra, em ferro bem forjada.
«Abram a porta!» - Gritava a avó chamando. «Abram a porta que o pastor quer entrar!» As doces pombas espantavam-se em bando, iam serenas no telhado poisar.
O pátio enorme cheirava a rosmaninho, a feno verde, a cidra, a hortelã. Os pardalitos pipiavam no ninho, entontecidos com o sol da manhã.
Casa de agricultor! Tanto trabalho, tanta lida, tanta vida, tanto ardor! No tempo da azeitona, ceifa ou malho, Trabalhavam até o sol se pôr!
Um grilo tonto na lareira escondido, uma cigarra perdida no pomar, a toutinegra com o seu alarido compunha árias em noites de luar.
Vinha o cheiro de mosto do lagar, vinham sacos de farinha do moinho, vinha azeite da talha a gotejar, vinha fruta, hortaliça, pão e vinho.
Primeiro foi a avó que foi embora, cansada de trabalho e de sofrer. Em cada mês, em cada dia, em cada hora, doce lugar ficou por preencher.
E houve um dia em que todos partiram, malas na mão e na garganta um nó. Morreram uns, outros logo fugiram ao trabalho da terra feita pó.
Fechou-se a casa, o avô ficou só; Alquebrado, queixoso, sem ninguém… E começou a andar… metia dó… pela casa dos filhos: um vai/vem…
Envelheceu a casa. Em todo o lado, Cresciam ervas…tudo era solidão. Subiam as silvas até ao telhado E cogumelos enfeitavam o chão.
Mas, um dia o milagre aconteceu. Alguém a viu, alguém a desejou, e a Casa do Pombal que se perdeu numa alegre moradia se tornou.
Casa dos meus avós, das minhas tias, da minha infância feliz e descuidada, passo por ti e só sinto alegrias, ao ver tuas paredes restauradas.
Sejam felizes os que vivem nela, os que enfeitaram de flores a calçada, pois colocaram vasos na janela e fizeram da casa uma pousada.
Quando vou a Foz de Arouce de abalada e antevejo essa casa florida, encho de amor a minha madrugada; São meus avós o chão da minha vida.
Maria Helena Amaro Inédito Braga, julho 2013
http://mariahelenaamaro.blogspot.pt/2 ... julho-casa-do-pombal.html
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