
e, habitas-me
Data 23/07/2013 16:39:31 | Tópico: Poemas
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Habitas-me com as malas, as viagens, esses livros rasgados, apocalipses teus, nossos, revelações em nevoeiros que teimam em ficar, como se só o tocar não fosse além de um nenhures uma vez imaginado,
única vez.
E, desarrumas-me,
não saberei escrever da coragem, da solidão, das noites que se perdem, das que se bastam quais andorinhas em voos rasantes, tantas as palavras escondidas procurando significados ou imagens refletidas,
silêncios acompanhados.
E, toca-me a alvorada esquecida,
desassombra-me colando os pedaços, estilhaços espalhados pelo chão de madeira, um dia em árvore, um dia em barco vogando conforme a direção dos ventos de norte em procelas sem fim.
E, desço,
pelas margens do mar , os mesmos lugares que se repetem, as mesmas noites que ficam paradas ansiosas, expectantes,
querendo que a luz não se extinga mesmo sabendo-me aprisionado.
Habitas-me, e, desarrumas-me,
por uma última vez, única, revelo-me.
(Ricardo Pocinho)
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