
O Poder de Cecília
Data 11/07/2013 15:20:43 | Tópico: Contos
| Noite fria de Cecília. Saíra do 'Casarão' para dar sua volta habitual da noite, antes de seus amigos e novos convidados chegarem. O sobretudo estava guardado na entrada da taverna, onde entrou. Um garçom veio atender-lhe solícito. Ela olhou-o e pediu apenas um martini, pensou melhor e mandou vir outro. Ao chegar a bebida, disse ao rapaz: _ Sente-se e tome o martini. _ Senhorita estou de serviço, não posso beber. _ Comigo pode. Ninguém fará nada contra você. _ Não, senhorita. Serei mandado embora. _ Sente-se. Sou a dona desse lugar. Não me conhece, porque deixo tudo nas mãos do gerente. _ Oh, desculpe-me; sendo assim, posso ficar tranquilo.
Ela olhou aqueles profundos olhos castanhos escuros, que à meia luz pareciam negros como a noite... O rapaz emudeceu ao olhar fixo de Cecília. De súbito ela perguntou: _ Como se chama? _ Adrian Ferris. _ Então Adrian Ferris, quer sair daqui e ir para minha casa? _ Como assim, senhorita? _ Sim ou não? Somente isso. _ Mas a senhorita há de convir, que mal nos conhecemos... _ Será meu convidado de hoje, para minha reunião entre amigos que estará começando às 22:00hs. Quer ou não? _ Bem se é uma reunião entre amigos, irei sim. _ Arrume suas coisas, vamos já. Falarei com o meu gerente para liberá-lo agora. _ Ok, vou trocar de roupa no vestiário. Levantou-se e seguiu para o final do corredor. Cecília o seguiu com os olhos. Terminou o drinque e foi até o gerente. Disse altiva: _ Amanhã você o substituí por outro. Esse é meu, de agora em diante. O gerente assentiu e nada disse. Sabia o poder nas mãos daquela mulher. O que ela queria na vida, conseguia. A única coisa que não obtinha, mesmo cercada de gente nas suas empresas, vida social e amores, era escapar da terrível solidão da alma.
Fátima Abreu
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