
IMPOTÊNCIA
Data 19/12/2007 12:45:26 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| IMPOTÊNCIA
Quero voar; sem asas, vou ao chão. A minha persistência é descabida. Invadirei o reino da ilusão, Já que a realidade não é vida…
Vinde a mim, fadas, bruxas, tudo o mais Que povoa os beirais do pensamento! Convosco alcançarei meus ideais: Será menor, assim, o meu tormento!
Lá nesse mundo algoz em que eu vivia Fui muito hostilizado; e já não posso Encarar, sossegado, noite e dia! Oh, não me abandoneis! Sou todo vosso!
Safa daqui, resmunga um lobisomem. Nunca simpatizei com fugitivos. Não passas dum cobarde, porque és homem. O teu lugar, velhaco, é entre os vivos!
Amigo, não és nada hospitaleiro; Balbucio, a tremer, cheio de pavor. Recusas-me um refúgio derradeiro?! Pensei que a vida, aqui fosse melhor…
Julgas que neste mundo de quimeras Não irás encontrar dificuldades? Há cá diabos, anjos, luz e feras; Lutas; amor e ódio; até saudades…
Não pode ser, digo eu, desiludido. Enganaste-me, bola de cristal! Vim ao reino dos sonhos, convencido Que tudo aqui seria um festival…
Abandonais-me, por não ser criança? Adulto, não ouvis os meus apelos? Será que nem aqui acho mudança? Naufragarei, num mar de pesadelos?...
As gargalhadas duma feiticeira, Horripilantes, chegam-me aos ouvidos. Tento fugir de mim, a vida inteira, Mas não posso abafar estes gemidos Fada amiga do Bem, abre-me os braços: Neles descansarei, tranquilamente! Cambaleiam, incertos, os meus passos; Da tua protecção estou tão carente!
O teu sorriso dá-me confiança: Salva-me deste abismo em que afundei! Não hesites, e traz-me essa mudança Que aqui vim procurar e… não achei…
Meu caro: esta varinha de condão É fraca; porém tem-la ao teu dispor. Esse problema é grave; e t solução Não deve estar na fuga ao dissabor…
Impotente sou já para conter O rumo de egoísmos bem humanos. Exausta, pouco mais posso fazer: Esta luta é tão velha, como os anos…
Saberás bem que agora os pequeninos Não ligam às histórias de encantar; Já nascem com instintos assassinos: A sua obediência é o insultar!
Crescendo sem amor, vem a revolta; E tornam-se, desde logo, marginais. Bravios, por aí, andam `solta… Conheces os culpados?! São os pais!...
Regressa, amigo; e tenta defender O mundo das terríveis explosões: Se um dia tu e os outros vão morrer, Porquê derramar sangue, entre as nações?!...
Sim, fada; tens razão: eu vou-me embora! Não suporto a brutal realidade! O grande esmaga, enquanto o fraco chora, Confundindo ficção com igualdade!
Adeus, mundo ilusório não trouxeste Nada de novo à minha imperfeição! Nem os sábios conselhos que deste Minimizaram tanta decepção!...
|
|