
"audiam clamorem"
Data 20/06/2013 15:44:39 | Tópico: Poemas
| “ E a tudo no lugar sinistro atendo. A verdade é que então na borda estava Do vale desse abismo doloroso, Donde brado de infindos ais troava.”
Divina Comédia – Inferno, canto IV, ver. 06/09
À noite chamam meu nome. procuram por mim, agitam bandeiras, querem me matar, consumir as carnes e vísceras. não me importo. que jorre meu sangue; sou como um leão perseguido por toupeiras pusilânimes rastejantes somente devoram depois do inimigo morto.
minha resposta firme soará em retumbante brado enchendo os céus meu sangue corre pulsante e quente, tenho as presas e afiadas garras não me façam uma menor figura. jamais me ornem com torpes labéus sequer a decúria timorata vai manter-me em repulsivas amarras
gritos abafados, adoradores de bezerros de ouro de almas sinistras minha vida defendo feroz. minha voz soará sempre, em eco retumbante nem um outro dia, nem em outro sonho a turba feroz fará conquistas.
jamais terão um dócil bezerro de ouro. calado sem dar nenhuma resposta como a de animal feroz que salta da jaula, rosnando, gutural aterrorizante valerá minha vontade. no meio da noite insana , soará minha voz sobreposta.
e todos ouvirão o brado
por certo.
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