
Sem Qualquer Alento
Data 20/06/2013 13:30:38 | Tópico: Poemas
| Entre o escuro brando de Verão, Entre os pensamentos que não contive e deixei em vão, Entre o azul bruto de Inverno, Entre o paraíso e o Inferno.
Entre o barco da tristeza, E entre a ponte d’alegria, Entre o nevoeiro que envolve a fortaleza, E o farol riscado que a vigia.
Entre um ontem sem porquê, E um hoje “porque sim”, Deixou-se a mágoa que não se vê e se abriga em mim.
Entre as memórias que vêm e me consomem as mãos, Entre um presente sorrateiro que me deixa sem noção.
Entre o errado e o certo, Em frente a um portão fechado e outro aberto, Entre aquilo que não se devia, Mas se faz, Entre todo o pensamento fugaz.
Cheira-me a gás. O gato deixa-se na cama. Saco um cigarro, E acendo uma chama.
Tenho fome, mas não tenho comido. E o tempo que me consome, Esse, deixa-se perdido.
Gosto da nostalgia, Neutralizo-me nela. O gato mia Sobre a manta amarela.
Oiço os pássaros em persistência, Que me cantam sobre o vento. E num suspiro lento, Afundo-me em dormência.
Sem jeito para rimar, Sem sentido para fazer, Sem sonhos no olhar, Ou esperança p’ra viver.
Lá está o gato, Gordo, preto, Deixado à sua sorte. E eu, rodeada por gás, Anestesiada, me sento Sobre a morte.
Sem qualquer alento.
Lau'Ra
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