
ALGO NA MADRUGADA
Data 29/11/2006 18:58:25 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Sossego o meu espanto. Cai uma névoa fria, paralela ao rio, Que se esconde detrás das luzes, Violáceas ou amarelas, dependendo aqui De qual a inflexão, ou de que silhueta nocturna Estas já tomaram pra si. O silêncio, que sei por lhe escutar Do longe o ínfimo ruído, é na mente que o ponho, Enquanto isso latejantes, os ouvidos Se pronunciam, quiçá por excessiva capacidade De armazenamento. E um cansaço, que é mais de coisa sentida na carne, Que cansaço, propriamente dito, Diz-me das pernas como dos braços, Uma sua inutilidade quase confrangedora. Frio… nas mãos… e nos pés também. Já o olhar não pede licença ao vidro, E a janela faz-se de carros, de luzes E baixos relevos, essencialmente. Que farão os poetas acordados, a estas horas Tão tardias, de uma gélida madrugada? Loucos, apaixonados… Ó peso na alma – e nos pulmões também, Reclamando a falta do oxigénio, Provocada pelo excessivo zelo do cigarro. Agrido o cinzeiro e recrimino-me: “Fumar traz a quem fuma incapacidades Cardiovasculares…”, adentro… nos olhos… Agressivas letras, garrafais. É já completa a nébula, e o silêncio gradual, Grita-me um último baque… em surdina… Nos ouvidos… Pergunto-me: Quem o que aqui, se disse à noite, O louco e apaixonado, Ou o que trouxe consigo, algo de restos diurnos, A necessitarem de confidencialidade? Finalmente a gaze…
Jorge Humberto (12/12/2003)
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