
Tempestade
Data 23/05/2013 16:43:45 | Tópico: Poemas
| Tromba de um deus Paquidérmico e cinzento A fustigar-me Com chuvas e ventos;
Língua plúmbea e marrom A torcer-se em espiral De fúria e som;
Precipício gutural A vomitar-me Pó, fogo e detritos;
Céu de granizo Apedrejado – A primavera Traz as piores feras De maio:
Grenha turbulenta A assolar a terra Com tormentas E raios.
Oh, que anjo assoma No céu de Oklahoma E sopra deveras Apocalíptica trombeta Repleta de ira e bestas?
Nada mais resta Do gado, do pasto E da safra de milho.
Nada mais resta Senão o desespero Do clamor e do grito Das mães à procura De seus filhos, O choro de medo Dos órfãos Sob os escombros E a chuva.
Nada mais resta Senão o terror De mim mesmo, Paisagem do avesso Da qual tudo parece fugir...
Minha nudez e desterro Onde antes só havia O ouro a fulgir À luz plena do dia, A placidez dos alísios A soprar nos campos de trigo.
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