
SER MINEIRO UAI SÔ!
Data 12/04/2013 02:14:22 | Tópico: Poemas -> Amor
| É costurar uma calça rancheira com a linha do tempo Remendar a camisa xadrez com a esperança da história Poetar alguns versos fumando um cigarro de palha Espantar os maus espíritos pitando um cachimbo de barro
É desfiar um fumo de rolo cortado à força por um canivete afiado Apertar um passo aflito batizado dentro de uma botina “gomeira” Uma “sodade d’ocê”, num trem apavorado cuspindo fumaça Dando adeus com mãos trêmulas segurando um velho chapéu de palha
É levar na mala um corte de goiaba cascão e uma forma de queijo minas Raspar o fundo de um tacho quente e nervoso que só sabe fazer doce de leite Parar na estação e matar a saudade num lindo pão esquentado com lingüiça E bochechar a saudade com uma pinga curtida num alambique de Salinas
É curtir o amanhecer da vida num pão quente de sal e um café com leite da roça Esquentar o frio e o medo da vida no rabicho de um de um velho fogão à lenha Saborear o amadurecer da lida num torresmo crocante tirado de uma velha panela de pedra Ser matuto da grota e poeta preso num curral de gado e cerca de arame e aroeira madura
É ser Milton, ser Chico Xavier, ser um trem sem freios cheio de sol e luz e liberdade Ser Pelé, ser Drumond, ser Guimarães, ser as rosas viçosas de um de um juiz de fora Uma montanha azulada guardando a liberdade de um Tiradentes de todos os montes claros Mulheres tricoteadas e bordadas cheias de curvas perdidas nas serras, perdidas por Minas
É ser o Rio São Francisco cortando minas, chorando minas e molhando a terra de Minas Broa de fubá da Serra da Canastra, vento forte da Mantiqueira namorando Caparaó e Cipó É pensamento fecundado num serrado virgem que nasce com despertar do tempo no por do sol Ser madeira e ser carvão, ser o berço e a cama da escravidão, Chica da Silva, mãe Gerais
Magicamente Gerais, elegantemente Minas, poeticamente filho da minha metade Minas Gerais.
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