
MARCAS
Data 09/04/2013 23:28:03 | Tópico: Poemas
| Marcas ficam, elas ficam sim, em lugares incertos Num lençol macio, elas ficam estampadas com a força Da luta corporal da última noite de amor tudo registrado Ficam as marcas no último badalar do sino na tarde fúnebre
Ficam nos momentos mudados, nos sorrisos de meninos Ficam nas calças dos jovens apaixonados numa noite de luar Nas pedras frias que aquecem presos condenados e loucos Que levam na mente as marcas de amores livres e sadios
Ficam na pele enrugada de um rosto cansado queimado de sol Ou numa montanha rasgada ao meio de vales profundos Em vozes roucas e fracas gravadas por tantas loucas idades Ficam na lâmina da faca cega que mata paixões afiadas
Ficam nas curvas covardes feitas pelo homem de bom coração Que num cálculo sem fórmulas definiu a reta dentro da curva E sentenciou em morte a vida de muitas pessoas inocentes Ficam nos cemitérios espalhados como vasos de flores mortas
Ficam na certidão que registra o primeiro filho dos dez que também morreram No peito murcho e caído que um dia alimentou o filho que sumiu Na mão calejada que carregou a aliança que o padre um dia benzeu Padres e alianças unem os amores de deuses e seres apaixonados se separam
As marcas ficam nas pedras do homem que com elas trabalha e dorme No berço da criança amada que vem mostrar com olhos novos a velha estrada Marcas gravadas nos filhos dos filhos de outros filhos com o mesmo sangue Imagens loucas penduradas nas paredes velhas de um bairro também velho
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