Um dia desses eu passeava em São Paulo, num dia de preguiça, revendo lugares conhecidos, analisando as modificações ocorridas durante estes anos de ausência, e, passando em frente o Anhembi, notei um cartaz que me chamou a atenção.
“CONCURSO NACIONAL DE PARAQUEDISMO MODALIDADE QUEDA LIVRE – INDIVIDUAL”
Atravessei a rua, entrei no Aeroclube, lá no Campo de Marte, e me demorei a olhar os aviões e helicópteros, um mais bonito que o outro.
Em pensamentos, agora eu me via sobrevoando novamente a Serra da Cantareira, com suas árvores floridas..., o rio Tietê ainda poluído, mas, lá de cima, tão bonito...
Já me via estolando com um Pipper, dando rasantes com um Sêneca, passeando no Cesna...
Eu sempre fui apaixonado por aviões, e tudo o que voa. Pássaros, borboletas, pipas, balões, aviões, asas-delta, ultraleves.
Só não me interessava pelo Superman, e coisinhas assim.
Sempre gostei de ver paraquedas, também.
Imaginar uma pessoa saltando de um avião, a não sei quantos mil pés de altura, caindo em queda livre por algum tempo. O vento fazendo pressão no rosto, nos braços, em todo o corpo, como uma massagem sensacional.
Depois, o pára-quedas se abre, naquele colorido que enche os olhos...
Minutos se sucedem...
No ar, a pessoa, leve, pendurada apenas por aquelas alças, olhando de cima tudo ao redor...
Paisagens magníficas...
É lindo!
É verdade, que tem seus riscos. Aviões podem tem panes e cair, mas o paraquedas...
Se o pára-quedas não se abre, a pessoa cai rapido, e dificilmente escapa com vida.
Alguns, com os paraquedas abertos são carregados por uma corrente de ar, uma rajada de vento, sendo jogados sobre as torres de transmissão de energia elétrica, e outros pontos perigosos... Morte na certa!
São muitos os riscos.
Jornais, rádios, tele-jornais, revistas, enfim, toda a mídia cobre acidentes aéreos, mas os acontecidos com pára-quedistas não tem repercussão nenhuma.
Paraquedismo é lindo, de verdade, mas muito perigoso.
Bem... Vocês me conhecem, e sabem como eu sou. Decidi fazer a inscrição para o concurso, então vou fazer a inscrição!
Nada vai me fazer voltar atrás.
Sentei-me no restaurante do Aeroclube, ficha de inscrição na mão, com letra de forma, bem redondinha, bem legível, preenchi, paguei e entreguei.
Se você acompanhar o desenrolar do concurso pela TV, poderá ver minha sogra saltando. Eu a inscrevi!

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