
Archaeopteryx
Data 29/03/2013 20:38:06 | Tópico: Poemas
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O pássaro sempre em queda livre bate as asas, sôfrego, para salvar-se. Salva-se. Encontra pouso num galho, pedra, pau, ou fio de poste elétrico e recupera-se do susto. Mesmo sabendo do vento sempre ao lado do ser alado, a ansiedade da liberdade da queda condena-os, aves. - Não basta asas, sussura Darwin no caixão. O medo, (ou a evolução) trataram de deixar quem mais quisesse, no chão. Veja o pinguim, elegante e pedestre. E as galinhas, que às vezes, asas, tentam, mas nunca subirão. A pomba, perfeitamente intacta, inventou para si a mentira que é melhor o chão onde correm grãos. A pomba come tudo para esquecer de voar. o disfarce da pomba é que dá ginga ao andado. Andorinhas adoram vôos rasantes rompantes kamikazes, suicidam-se de mentira em pacto com vento. Salvam-se na última hora em lufadas certeiras. O urubu, talvez pela afinidade com o a mortalidade, fica plano, sem medo ao bel prazer do vento, ao léu do medo de morrer, da queda. O pássaro metáfora do espírito santo - a pomba, voa mas prefere pés no chão. Deve haver nisso, lição.
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