
Esta janela despudorada
Data 28/03/2013 15:54:13 | Tópico: Poemas
| * É neste quadro que vejo a noite pintando a ilusão; uma janela que dorme de dia e acorda pra noite feito fêmea mundana; abre-se às orgias entabuladas nas calçadas pra derrogar-se em quartos, escalando camas com atitudes ousadas
É por ela que vejo a rua descendo sinuosa; uma serpente ondeando no escuro com um olho de fogo riscando o vazio e naquele dorso indolente e viscoso, vem altivo e ardiloso um vulto; chapéu de feltro, sobretudo e coturno, num jeito ‘classudo’, sexy, felino, ferino em negro, que entontece meu subjetivo olhar, ao camuflar-se com a noite.
A puta janela abre-se mais ainda escancarada como a vadia que se oferece a audaciosas fantasias. Faz-me ver o brilho de dentes o detalhe das mãos o cigarro entre os dedos ardendo e olhos ferozes me comendo... Caio atordoada ao descobrir que a poesia que me clama, [nome suave e feminino] se aproxima com ardil masculino corrompendo a ficção em versos que terminam abraçados num corpo de um homem.
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