
Morre-me
Data 27/03/2013 17:43:33 | Tópico: Poemas
| Afio os dedos com as lâminas do teu beijo A minha angustia bebe até o bar fechar
Rasuro poemas em escombros de prédios Refastelo-me em andaimes de medo Sem medo de cair
Meu destino tem navalhas a sangrarem-me os pulsos Minha voz foi comida por um verme
Penso-me uma lapa, perfeitamente quieta
Há uma hipótese de lança na forma como me olhas Como me rasgas Mas alguém dentro de mim Perfeitamente indiferente a tudo isso Cai desamparado do perfil desse desejo
Não sei falar a perda de te amar tanto Que não seja por lágrimas de sangue Por virgens inócuas, por sapos de papel
Não esperes por isso que te saiba dizer este amor de argila Esta parede de azulejos mal colados
Tenho-me como um grão de universo Única verdade de mim Escrita que se limpa do sémen de um poema Atingido num órgão vital
Consegues separar esta vontade de te morrer Com a vontade que tenho de não te ter?
Entra então no meu texto pela porta dos fundos Mata todas as personagens que encontrares pelo caminho Faz-me a barba com um arado de morte e morre-me
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