Lembrei-me de que te amava quando disparaste

Data 23/03/2013 22:27:29 | Tópico: Poemas


Tombei ferido sobre o teu regaço de prosas

perfurado em cada parágrafo

uma só gota de sangue nas mucosas



Acolheste-me sarando feridas

Retirando chumbo das minhas asas de telégrafo



E nos intervalos das dores sentidas

Nas pinças penetrantes que usaste

Fui do teu sorriso cartógrafo



Elevador do medo que me levou à boca

Disjuntor que cortou a luz à luz dos teus olhos

Carta tonta de marear que me fez de ti geógrafo



Enjoo de gávea, passo doble em convés doido

Deslize de palavras nunca ditas

Mostrengos, adamastores e sereias malditas

Negativos dos dias em que fui fotógrafo



Guardo-te como folha seca num livro

Cadáver exumado, sarcófago



E sem saber ler nem escrever

Discurso sobre a epopeia de te perder por um fio

Rompo plateias ao meio

E sou da solidão menos preenchida



Um rio


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