
Sumário dos dias (republicado)
Data 10/03/2013 23:53:38 | Tópico: Poemas
| Por onde passaste e te perdeste Num mar de procelas borrascosas? Nem mesmo tu sabes protegido Por quatro paredes que te encerram. Lá fora o dia é sem precedentes. Não há nada igual e os homens catam E contam calados as ruínas Dos corpos imotos, sem desígnios, Co’a comprida vela esfarrapada De um lenho repleto de naufrágios. Quiseste transpor o bojador E êxito lograste em tão extensa E arriscada empresa, porém não Transpuseste a dor da solidão, De quem pelo mar, expatriado, Regressou sem fé, feito em pedaços. Calecut alguma divisaste Ao fim da jornada para a glória; Viste tão somente um breu profundo De abismos e pântanos sombrios, Que é a própria máquina do mundo; Mares em que não discernes céus De amorosa estrela cintilante Que a Deusa averruma no horizonte, Pois toda a alma nasce sempre imensa Até se encontrar co’o mar e ver O quanto é miúda e sem destino, Até defrontar-se co’as metrópoles E ver-se sem alma na rotina. E agora de volta para casa, Anonimamente conduzido, Melhor compreendes o que foste, O que és e serás na tempestade Íntima de ser que se procura Sempre no maralto da cidade.
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