
FIDELIDADE TRÁGICA
Data 10/12/2007 05:25:15 | Tópico: Poemas -> Esperança
| Fidelidade Trágica FIDELIDADE TRÁGICA Numa triste despedida, Ela, tão desfalecida, Não parava de chorar! Ele não tem mais demora: Vai-se, em desditosa hora, Para a fronteira, lutar… - Nunca serás esquecida! Não chores, minha querida! Precisas muita coragem! - Vais cumprir triste dever, Indo a Pátria defender… Deus te dê boa viagem! Tirana separação! Com enorme comoção Vivemos esta partida! E, se ele não regressar, Ela diz que há-de ficar Solteira, por toda a vida! Ninguém o deve impedir; Seu destino vai seguir… Sabe Deus se voltará! Se tal acontece, um dia, Haverá mais alegria Do que lágrimas, hoje, há!... Quem adivinha o futuro? Lá, num combate inseguro, Ele pensa em sua amada. Esta, definha, em tristeza, Porque se sente indefesa; Mais ainda: inconformada! Tão triste, mas sempre linda; E aquela dor, que não finda, Aumenta a sua beleza. Ternamente delicada, Assim fora modelada Pelas mãos da Natureza… E continua formosa, Tanto como desditosa, A pensar nu noivo, ausente. Resta-lhe a consolação De que ele, no coração A terá sempre presente… Somente a correspondência Encontra mais paciência Para enfrentar a tortura! Vão as cartas afrouxando, E a pobre moça ficando Mais triste que a noite escura… Dois longos anos passaram; As missivas terminaram… Já ela desanimou! Eis que chega àquela terra Um fugitivo da guerra, Que por ela perguntou. Muito nervosa, a tremer, Lá vai ela receber Notícias do seu amado! Ouve, com mágoa fingida, Lamentar a triste vida, Ao jovem recém-chegado: - Pobre moço, que trazia A sua fotografia Sempre junto ao coração! Ao meu lado combateu… Mas um dia… recebeu A descarga dum canhão!... Sendo verdade ou mentira, O malvado conseguira O seu mais pérfido intento: E assim se via vingado Por ter sido desprezado, Ao pedi-la em casamento. Nem um gemido se ouviu. Contudo a jovem partiu Numa louca decisão! Não pára o rio… e a corrente Carrega um corpo, indif’rente.. São suas águas… caixão!... E mais um mês se passou, Até que alguém regressou À sua terra natal. Vinha coberto de glória, Pois dera a maior vitória À Bandeira nacional! Muitos perigos correra; Junto da morte estivera, Sem virar a cara à luta! Matar a sede de amor, Eis o mais consolador Prémio da sua conduta! Foi então o mentiroso Que lhe sorriu, desdenhoso: - Lá se foi tua querida! Jurei-lhe que estavas morto. E a cachopa, por desporto, Resolveu pôr fim à vida… Cai, morto, no mesmo instante, Aquele ser repugnante; Vinga o moço a falsa jura! E o jovem, triste, sombrio, Desaparece, no rio, Que a mais um dá sepultura…
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