
A pele do homem (e a merda também)
Data 28/02/2013 21:04:11 | Tópico: Poemas
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A pele do homem
A cascavel muda de pele, É da sua natureza. O homem, Diante da impossibilidade, Falseia. Os radicais viram poetas.
Os medíocres Não se encaixam em nenhuma categoria, Sem pele e sem vida, Vagam como fantasmas.
MF.
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E a merda também
Depois de escrito o poema acima, fiquei em dúvida sobre a palavra ‘falsea’, então pedi arrego ao Google, que aliás,como diz o Zésil, é meu “amiguirmão” por puro interesse de minha parte, porque sou o mais incompetente de todas as criaturas que exercitam a língua portuguesa/brasileira. Agora vejam a surpresa, pelo menos para mim, que encontrei na Wikipédia: “Falseabilidade, falsificabilidade ou refutabilidade é um conceito importante na filosofia da ciência (epistemologia), proposto por Karl Popper nos anos 1930, como solução para o chamado problema da indução. Para uma asserção ser refutável ou falseável, em princípio será possível fazer uma observação ou fazer uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa. Por exemplo, a asserção "todos os corvos são pretos" poderia ser falseada pela observação de um corvo vermelho. A escola de pensamento que coloca a ênfase na importância da falseabilidade como um princípio filosófico é conhecida como a Falseabilidade”, e por aí vai ad infinitum.
Pois bem, este poema foi evacuado às 3h da madrugada, sentado na latrina, imitando a posição de “O pensador” de Rodin, em meio às contrações peristálticas de meu nobre e exigente intestino. Rodin, com certeza, pensou sua escultura assim. De forma que esta grande obra de arte nada mais é que a representação de um esforço constipativo. Mas, voltando ao poema. As duas merdas foram evacuadas quase simultaneamente e as duas teem um final, por assim dizer, feliz; chegaram a um bom termo. Fiquei pensando: Quem estimulou quem? Uma filosofia contaminada por coliformes fecais, vão dizer, mas usando um bom filtro neuronial, pode ajudar uma planta a crescer mais viçosa, assim acontece com os lírios nos pântanos. Pois. Enfim, a merda nasceu da poesia ou a poesia, da merda? Ou ambas se intencionaram, para desgosto dos puristas? Dei a descarga. Uma pegou o caminho dos esgotos para se misturar à àgua tratada que bebemos diariamente. A outra, à guisa de poesia ganha o mundo, outro tipo de esgoto, só que mais perfumado e pretensamente civilizado. A verdade é que sempre quis fazer isso, colocar a merda numa posição de destaque, filosófico até. Afinal, todos querem esconder suas merdas sob a maquiagem bem delineada, por conta de um preconceito que acho contraproducente. Precisamos dar a carta de alforria à merda, portanto. É muito salutar, na verdade é uma profilaxia de excelência na área dos transtornos mentais. Claro, ser autêntico e livre tem seus custos. Não haverá unanimidades, os amigos serão poucos, embora de boa qualidade. Não estou falando de perder a boa educação e sair magoando os animais e a estultícia alheia. Pode parecer o oposto, mas falo da luz. O sol fica mais ardente e as queimaduras podem acontecer, mas em compensação a vida entra em combustão espontânea,vira um incêndio.
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Moral da história: ainda estou pensando.
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Gente, pensar é a moral da história, sacô?
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