
Bélico
Data 15/02/2013 11:36:29 | Tópico: Poemas
| Flores bélicas Rebentavam em todos os canteiros. Bellum rufava seus tambores Nas hostes do meu quarto, Entoando um hino Repleto de seqüestro e assassinato. Súbito, então, comecei A oferecer flores e balas Nas escolas, Nos cinemas e teatros, Em todas as ruas E casas, Em ônibus e trens. Eram lírios e tomilhos Furibundos, Narcotizados E guerreiros, Lançados dos rifles E bombardeiros. E tudo parecia-me terrível e Belo Como a lua a estuprar-lhe os amantes E a despregar-se, como um alien, Sangrenta, crescente, De nossos ventres. Colhi todas essas flores Ao som de desesperadas cigarras E de justiceiras espadas. Cheguei mesmo a cultivá-las e traficá-las Por toda África e Palestina, Flores fétidas e clandestinas, Como um jardineiro A passar tudo a facão, Como um padeiro a envenenar o próprio pão. Era preciso cumprir minha pena, Seviciar todos Que me maltrataram sem pena E me entregaram aos chacais e hienas. Hoje não cultivo mais. Estou em paz. Bato ponto, Leio a bíblia E entrego o protocolo A mães que carregam no colo Filhos e pais De futuras chacinas.
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