
À Quinta do Malhão ( a quinta da minha infância em Évora)
Data 03/02/2013 21:24:44 | Tópico: Poemas
| Saudade, triste saudade, me ficou no coração daqueles campos sem vaidade da Quinta do Malhão ... Nogueiras, altas Nogueiras, se erguiam naquelas terras campos longos de laranjeiras povoados de tristes pedras!
Ai saudade, triste saudade, do cheiro a terra lavrada, da sua infinita bondade ficou minh'Alma marcada. Recordo ainda aquela Nora e seu triste Coração, os alcatruzes eram fora chorava a Quinta do Malhão ...
Tanta sombra, tanta Paz, tantos sonhos e fantasias ... Quando eu era rapaz tinha a Alma cheia de Poesias! E na terra macia adormecia no chão, voa, voa Poesia, sonha, sonha Coração, era assim que eu vivia na Quinta do Malhão!
E os primeiros Amores que minh'Alma encerra nasceram como as flores na memória daquela terra ... Cada canto mos recorda, cada tronco, a minha infância, mas sinto ainda uma corda: apesar já da distância, passa sempre e morre um beijo nesta memória em cadência ...
E das Nogueiras, folhas secas, folhas secas, folhas mortas ... No chão caidas, que m'importa se secas estão as folhas mortas! Nogueiras, altas Nogueiras, Laranjeiras e Figueiras que em criança me vistes, já não podes agitar as altas franças, guardai então os sonhos tristes desta triste criança ...
Ricardo Louro em Évora
|
|