
O Auto da Barca do Inferno, séc. XXI
Data 28/01/2013 11:59:16 | Tópico: Poemas
| "O Auto da Barca do Inferno, séc. XXI"
Preâmbulo:
O Auto da Barca do Inferno é uma complexa alegoria dramática de Gil Vicente, representada pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas (sendo que a segunda e a terceira são respectivamente o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória).
Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se aproxime da farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos que cobre sejam pertinentes na atualidade.
As personagens que Gil Vicente criticava, e que eu encontro paralelismo com a atualidade, eram: -Fidalgo, D. Anrique: ora o que não falta hoje em dia é jet sets de merda e patronato que mais que não fazem que sugar o tutano aos plebeus;
-Onzeneiro - homem que vivia de emprestar dinheiro a juros muito elevados, neste caso onze porcento, ou seja, um agiota: a troika, os bancos, as financeiras que extorquem o país e as famílias com juros agiotas;
-Sapateiro de nome Joanantão, que parece ser abastado, talvez dono de oficina: o pequeno patronato opressor que explora os trabalhadores, um novo rico;
-Frade cortesão, Frei Babriel, com a sua "dama" Florença: o clero, os padres que ainda hoje são muitas vezes acusados de pedofilia;
-Brísida Vaz, uma alcoviteira: o pasquim correio da manhã, o jornal de notícias, os chulos que vivem à custa da prostituição das mulheres;
-Judeu usurário chamado Semifará: a grande finança mundial ainda é controlada por judeus;
-Corregedor e um Procurador, altos funcionários da Justiça: o alto funcionalismo público, hermético, ineficaz, que só suga impostos, deputados, ministros, magistrados, parlamentares;
-Enforcado: ralé que suga o estado com rendimentos sociais sem trabalhar, e gente da mesma estirpe, que nada faz e só sugam o dinheiro do estado, arrumadores de carros, ladrões, carteiristas, pequenos delinquentes;
-quatro Cavaleiros que morreram a combater pela fé: bem-visto por Gil Vicente, os militares que defendem uma nação
-Joane, um parvo, tolo, vivia simples e inconscientemente; (este sou eu, o doido que não sabe o que diz, presumo que esteja então perdoado)
letra:
O Auto da Barca do Inferno, séc. XXI
Parte I - Inspiração
Meu nobre Gil Vicente és o meu génio inspirador pois quem diz a Verdade e não mente merece honras e louvor
Escrevo-te neste Inverno este verso teatral Escreveste: "o Auto da Barca do Inferno" Escrevemos Portugal
Muito pouco mudou desde então prezado Gil Vicente pois há muito fidalgo e ladrão que continua entre a gente!
Fidalgos são os jet set de merda que vivem à custa do desgraçado e há muito fidalgo de esquerda, há muito fidalgo advogado!
Para onzeneiros, temos o Dr. Ulrich assim como o Dr. Jardim Gonçalves Pois na TV, pedir crédito é fixe Agiota, que do diabo não te salves
Os frades meu caro Gil, já não dão esperanças no teu tempo andavam com raparigas pois agora andam com crianças que ficam com infâncias perdidas
A alcoviteira continua aqui a cada Correio da Manhã aquelas páginas que eu lá no meio vi são Evas que morderam a maçã
Os judeus usurários estão no capital vestem fato e gravata p'la manhã estão na troika e em Portugal vêm lá todos do Grande Satã
Parte II - do Estado da Nação
Temos Portugal na desgraça fome, miséria, pobreza. Sofremos a ameaça do capital e da avareza
Banqueiros, proxenetas, corruptos são todos da mesma raça carregam sobre o povo com os brutos quais caçadores que vão à caça!
Deputados, chulos e putas todos do mesmo coio se tu meu povo não lutas passas por vil e saloio
Burgueses, sindicalistas idiotas ao capital no bolso não dizem não pactuam com os agiotas que fodem esta nação
Juros e mais juros e juros pois juro-vos que não me calo gritando os versos mais puros é sobre o meu país que vos falo
Agiotas e engravatados todos da mesma ralé deviam ser sodomizados por africanos da Guiné
Deputados, ministros, violadores todos já para o Terreiro do Paço juntem-se-lhes os corruptores pois humilhá-los é o que faço!
Generais, coronéis e tenentes que fazeis vós por esta nação? A não ser, ferrar com os dentes a este povo, a mais ínfima migalha de pão.
Advogados, fiscalistas, consultores sois vós os parasitas da sociedade a par com meia dúzia de doutores que na TV, se acham os suprassumos da verdade.
Meu povo, não deixeis, que vos ferrem a carne pois não falta luxo ao cão que vos governa Rogo-vos: não sejais cobarde e lembrai-vos: o povo é quem mais ordena!
Parte III - do Capital
Sindicalistas e burgueses temperança não é convosco das grandes marisqueiras são fregueses fostes vós que pusestes o país no poço!
Maquinistas, juízes, professores os inúteis mais bem pagos do país que só por se acharem doutores podem extorquir o Estado até à raiz
“Eu sou técnico superior o meu estatuto é fundamental Você é ralé… Oh Sr. doutor sempre vamos à greve geral?”
“Eu sou funcionário público Trabalho muito e ganho mal! A pedir aumentos não sou púdico Trabalhar?! E a minha hérnia discal?”
“A meio da tarde bebo o meu tinto o meu salário é fundamental, entro às dez, saio às cinco. Quanto é o salário mínimo nacional?”
“Eu sou grande gestor, quero, posso e mando dezanove vezes ganho mais sobre aqueles quem eu comando esses parasitas, sanguessugas e chacais”
“Cortar salários não me custa A minha técnica? Precariedade laboral! A PJ lá em casa fez uma rusga mas eu sou perito em evasão fiscal”
“Advogados, procuradores e magistrados compro todos e saio ileso. De todos esses afamados já viu algum corrupto preso?”
Sindicalista pede dinheiro Capitalista quer capital Será que a diferença está no cheiro? Pois eu não vejo, é tal e qual!
Sindicalista pede aumento Capitalista joga com o risco, ao primeiro, trabalho é tormento o segundo foge ao fisco!
Parte IV - da Austeridade
Em casa onde não há pão! todos ralham com quem é sóbrio Quem nos comanda é ladrão os comandados só sentem ódio!
Em casa onde não há pão há um político engravatado pois com fé e a televisão fazem o povo bem mandado!
Em casa onde não há pão não falta a ZON no coração O Benfica é a paixão, Fátima é religião!
Em casa onde não há pão para quê educação? Haverá sempre uma Nelinha para nos pôr todos na linha!
Haverá sempre um Gaspar um sóbrio homem da razão que acabou com o “deixa andar” e vos pôs a comer pão!
Mas em casa onde não há pão há carro para a mobilidade um para o pai, um para a mãe, filho, filha e até para o cão Autocarro?! Para quê tanta austeridade!
Parte V - do Crédito
“Mamã, compras-me um Mercedez para as minhas voltinhas na cidade?” “Claro filho, então o Barclays tem tantas redes Eles só fazem caridade!”
“Oh, querido, já viu o novo Nissan Qashqai? um jipe destes é tão janota!” “Vai pedir crédito ao teu pai que já somos enrabados pelo Totta”
“Mamã, os meus amigos têm todos carro passo vergonha, a mamã não vê?” “Oh queridinho, tudo menos autocarro vamos já ao BCP!”
"Papá, quero um popó? O papá só pensa em si!" "Filha, ou aprendes a fazer bobó ou então vais ao BPI"
"Cajó, olhe a casa da nossa vida! Isto até é quase campo" "Só se deres o pito dia-a-dia é que pagamos a renda ao banco!"
"Oh Cajó, oferece-nos esta prenda Já viu, e é tão boa a zona!" "Com 1000 euros de renda só se ficares a dar a cona"
"Cajó, e só hora e meia de Lisboa Não veja a coisa como um tabu Estou farta da Madragoa" "Não dás tua a cona, dou eu o cu!"
Parte VI - das elites profissionais
Em casa onde não há pão resta-nos apenas a prisão e por muito que aí andes, não terás o Sá Fernandes
Porque os crápulas estão na TV Mas será que ninguém vê a que chegou este cenário? É que o Nabais está milionário!
Romeu Francês, ajudai-me dou-te o ânus se for preciso mas só depois da casa e das poupanças e de ficar todo liso
E o pobre Duarte Lima, Roubar!? Ninguém o faz A polícia sempre em cima e é tão bom rapaz!
Pobre Dias Loureiro um homem tão solene Não eras tesoureiro lá para os lados do BPN?
“Eu sou médico, do clube dos mercenários Dinheiro é o meu único termo, É que os meus honorários fazem do são, um enfermo”
“Falto de forma regular pois a greve está na moda. E ganho algum por fora no consultório particular!”
“Faço esquemas com receitas ganho o que me apetece É que há muitas seitas lá no SNS”
“Fiz juramento de Hipócrates e faço abortos sem stress só não fiz ao Sócrates porque ele é do PS”
“Ah é para abortar isso? Abre lá as pernas que ninguém vê o que aí tens dentro é lixo e isto é só uma IVG”
“Pai, mete-me lá no partido que trabalhar está complicado temos o país fodido e um défice acumulado”
“No partido por enquanto não dá Mas descansa que dou-te a mão, Se não é lá é cá há sempre lugar na fundação!”
E esse crápula do Barbosa essa ralé que não vale um escarro! É que há tanta puta airosa que só dá a cona a quem tem carro!
Parte VII - da Pornocracia
E os alcoviteiros do Correio da Manhã que todos os dias mancham alguém, as páginas centrais são do satã. Putas, há esse termo também!
Não lamentes, Angélica, o teu estado; puta tem sido muita gente boa; muita puta tem governado, e há muita puta por Lisboa
Puta de papas, foi Marósia e ainda foi mãe de dois Mamou em muita hóstia Primeiro o sexo, o amor depois!
É assim a juventude! Primeiro o sexo, o amor depois! “É tão difícil manter a retitude com a mamalhuda dos caracóis!”
“Fiz os castings em três dias Puta, modelo, atriz Olha que tu não querias ter feito aquilo que eu fiz!”
“Faço novelas de juventude por paixão e por dinheiro E faço o amor amiúde com político e com banqueiro”
"Só não faço com paneleiro que eles me olham sem tesão e não têm tempo, estão o dia inteiro a trabalhar para a televisão"
Parte VIII - Apelo Divino
Vem Senhor meu Deus que este servo se Te ajoelha sou governando por ateus para os quais olho de esguelha!
Vem ao meu reino Gaspar que já prometeste à Nossa Senhora "Se Portugal se aguentar a troika não nos penhora!"
Tens razão ó Passos Coelho, Já não há respeito, ou louvor até o mais pequeno fedelho já bate no professor!
Pedradas à polícia, olhem que já vi esta cena! Foi da pedrada ilícita que salvou Jesus, Madalena!
É que Ele morreu na cruz para nos salvar Um Mestre, que de Seu corpo fazia pão Agora resta-nos o Gaspar Amén, a troika é a salvação!
E que ninguém me leve a mal este meu sóbrio sermão Ah meu Portugal Já só espero Sebastião!
Tiveste o teu nobre Infante e o padre António Vieira o primeiro foi navegante e o segundo.... leia
Vem D. Sebastião que ainda hás de voltar Só miséria e corrupção! “Vejam, vem aí Vítor Gaspar!”
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