
O amor de Monny
Data 17/01/2013 04:08:29 | Tópico: Poemas -> Juvenis
| A índia Monny usava penas de ema e pavão. colares de dentes, anéis de serpentes, pulseiras de capim, unhas de gavião.
Sabia dos mistérios das almas na selva, sentia as estrelas na palma da mão.
A luz dos seus olhos, chegava às nuvens, nos pés dos índios e no coração.
Dançava girando os braços adornados com fios de lã.
Dormia em taperas, não via perigos no escuro da manhã.
Duendes moravam no meio das grutas. Recebiam de Monny, peixes e frutas.
Entre palmeiras, cactos e coqueiros a índia Monny ouvia poemas de amor.
da boca do índio que imitava o trote dos cavalos.
Cheio de calos andava a dizer:
'pocotó','pocotó','pocotó'...
Cansada de ser só, soltava os cabelos no meio do pó.
Logo ao amanhecer, ouvia o repeteco: 'Pocotó', 'Pocotó...'
Sem tréguas, sem réguas, iluminavam-se as águas, as flores e as ervas.
Jovens e velhos paravam de pescar, caçar e correr.
Monny tornou-se mulher no dia em que se casaram a lua e o sol.
As ervas, as pedras e a selva ouviam dezenas de vezes: "Pocotó", Pocótó", "Pocotó".
Um dia, um índio guerreiro vindo das montanhas, sem quase nada dizer, despertou no corpo e na alma o amor de Monny.
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