
NATAL, PALAVRAS E OBRAS
Data 04/12/2007 11:44:48 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Estamos fartos, cristãos, Humanidade, De sepulcros caiados, sem amor! Falsos arautos da Fraternidade E paz. Como nos manda o Salvador… Com pompa, ides trocar prendas, abraços, Fazer visitas por obrigação: Chegando ao Carnaval, virais palhaços… Mas cada um, agora, é nosso irmão! Despejai os armários, desses trapos: Ide calar a boca aos pobrezinhos! Se chafurdam na lama, e engolem sapos, Migalhas vão deixá-los caladinhos! Com essa generosa e nobre acção, Decerto ganhareis um bom troféu! Tal “caridade” é digna de um cristão. Sem purgatório, ireis entrar no Céu… Levareis um descalço à vossa mesa?! Nem tanto! Deus não é tão exigente! Um bolito, um sorriso, com certeza, Bastará para o verdes bem contente… Coitados! Rezaremos, numa igreja, Por eles, que talvez Deus lhes acuda! Caridade?! Só conta a que se veja, Porque, assim como assim, isto não muda! Repicam sinos: trazem alegria; Embora fria, a noite é sem igual! Manda o bom senso: neste santo dia, Somos todos irmãos: feliz natal! Numa aparente paz, em toda a terra, Por umas horas, cessam os canhões! Mas, amanhã, já pode vir a guerra: Uma a uma, destruam-se as nações! Se Deus vê tudo, sem radiografias, Tal como o catecismo nos ensina, Que tens, a mais, natal, que os outros dias, Se o vil dinheiro a ti também domina!?... Não podem desmentir-me, nem os crentes: Dura, a realidade constatada! Naquela casa, montes de presentes; E, mesmo ali ao lado, outra, sem nada! É pecado buscar, na confusão, Toda a verdade, sem hipocrisias?! Saibamos, lealmente, dizer não Aos tartufos, que espalham heresias! Como homem, Cristo nasce, uma só vez; Lembre, quem creia, o Seu aniversário. Volvidos tempos, vem um outro mês: Choramos Sua morte… no calvário! Com várias festas, comemorações, Burlamos a feroz monotonia! Do berço à tumba, boas intenções… Vence-nos sempre o stress, a letargia… Cristãos, ateus, sois todos raça humana: O mundo é vosso, após o nascimento. Tenham os nossos filhos fofa cama… E os enteados?! Durmam ao relento! Visitamos cadeias, hospitais, Levando a quem lá vive algum conforto; No outro dia, quem os lembra mais?! Ninguém… tudo passou… foi só desporto… Volta a rotina, a dor, o desengano… O pão, que falta, a eterna carestia! Que pena um só natal, em cada ano! Todos os dias, bem melhor seria!... Que mágoa e desconforto; que tristeza! Vivemos, duvidosos, servilmente! Mistérios? Vácuo? Fé? Só na incerteza Vai balouçando a nossa pobre gente!... Desanimado, envolto em pessimismo, Fruto da quotidiana frustração, Desejo-vos, do fundo deste abismo, O mais feliz natal; mas, sem ficção!...
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