
Maio
Data 09/12/2012 20:31:29 | Tópico: Poemas
| Por que maio? e não outro mês qualquer Talvez porque em maio as manhãs acordavam entre neblinas e a graça do teu sorriso inocente Talvez porque em maio você enlaçava o meu pescoço e me dava beijinhos de esquimó tão frios nossos narizes tão linda a tua maneira de se deixar existir Sorrias quando eu dizia que a poesia é como jardins e que as palavras florescem nestes segredos suspensos em nuvens vermelhas em ramos de vento em flores de luas O ano? O ano não importa Infindável é o tempo e a chama que o consome Importante mesmo era que fosse maio e que o beijo me atordoando em ofegantes salivas dissolvesse-me, menino O beijo pousado no teu colo no teu ventre Nas nossas mãos enlaçadas nos nossos olhos fechados faziamos o dia conforme a nossa magia de lentos segundos o tempo parado em cada fibra em cada toque flamante E o amor era maio e de dentro da bruma de um mar que não tinhamos vinham teus olhos de menina tua boca miúda os dedos sobre os lábios entoando o silêncio repentino os segredos ainda úmidos zonzos Meu corpo o mesmo que o teu lenta poesia a desnudar-nos nos teus limites da bruma nos teus calores de sóis nos teus olhos de noite casualmente sem lua Em maio inclinavam-se os dias que traziam você e as tardes de incandescentes ternuras traziam o teu carinho e risos de era uma vez traziam a canção de amor tocando no rádio e a flor ressumando no jardim e brincos de princesa e lírios florescendo no horizonte entre mar e terra para o meu instante de bardo para os meus versos imaturos Vinham os versos com o silêncio que teus dedos em mim compunham sublimes inquietantes inefáveis sonhos a brincar com nossos dias com nossos maios a brincar com amanheceres que ficaram em mim como a estrela esquecida ficou no céu da nossa manhã rondó decifrando a lua e a tua ausência despida ante os meus versos noturnos ante o preto e o branco da vida Eu ainda posso ver teus olhos negros indeléveis me sorrindo desde as rendas diáfanas da neblina dissolvendo-se, assim, na sede da aurora e dos primeiros raios de sol Com a última estrela da manhã eu sinto que o tempo passou, incerto molhando com o teu nome este passado onde me escondi Pingo... para mim serás sempre Pingo Pingo d'água da onde sorvi da tua boca a gota da minha primeira lágrima de amor e de inauditos maios que hoje me trazem os ventos entre cantigas e poesias entre pétreas solidões desvelando esta saudade e este silêncio com os quais recito o teu nome reescrito no lago dos meus sonhos e nas poesias que não te fiz e que adormecem nos meus dias e que derramam nas noites lembranças dentro de mim
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