
SUBLIME ESPERANÇA
Data 03/12/2007 09:43:10 | Tópico: Poemas -> Esperança
| SUBLIME ESPERANÇA Que pesadelo, amiga prostituta! Já não vislumbras luz, nesse capim!?... Há nobreza ou desdém na tua luta? Conseguirás levar a cruz ao fim?!... Mediu alguém os transes que levaram A mais pura donzela à perdição? Sedentos de prazer, poucos pensaram Que foi falta de amor; quiçá… de pão!... Já quantos partilharam essa cama? Perdeste a conta… mil, talvez mais!... De todos eles, quem viveu teu drama? A própria escravidão tem ideais!... Num mar revolto, em vão, buscas bom porto: Abandono e desprezo, o teu manjar! Não crês venha dos homens um conforto: Dentes cerrados: -bom é acabar!... Aqueles que te compram e te vendem, Bem caro irão pagar tal ousadia! Vão troçando, a fingir que não me entendem; Mas tarde ou cedo chegará seu dia!... Num quarto, já sem roupa nem pudor, Finges entusiasmo, e sentes tédio. Um desabafo engole a tua dor: Meu Deus! Que hei-de eu fazer?! Não há remédio!... Mulher amorfa; cai no desespero! Não acredita em si, e odeia o mundo. Ás vezes grita: -Não! Nunca mais quero Esta maldita vida, um só segundo! Mas… cai, vencida; não lhe dão a mão; Sentem até prazer em ultrajá-la! E eu?! Passo mesmo ao pé; vejo-a no chão! Contudo não me atrevo a levantá-la!... Tive remorsos: quis voltar atrás… Não! Muito escárnio irão fazer de mim… Acobardei-me… não serei capaz De me assumir, lutar por um bom fim?!... Malditos sois, avaros preconceitos, Que destroçais a pobre Humanidade! Se em todos há virtudes e defeitos, Permanece utopia a caridade!... Homem: tens mulher, filhas, mãe, irmã? Não crês que também possam chafurdar?! Que tal o paladar dessa maçã!... A dor alheia irás valorizar!?... Mulher, não és farrapo; tem coragem! Embora tarde, vim chorar teu pranto! Aceita, confiante, esta mensagem: Somos irmãos; ajuda te garanto! Não me olhes assustada, e com rancor! Zombar de ti? Jamais! Falo a verdade! Desconheces o nome deste amor? Ressuscita, que ele é Fraternidade! Que desejas de mim?! Deixa-me em paz! Não vais modificar esse fadário! Descansa. Muito em breve me verás Cair… entre mil vaias… no calvário!... Não venhas com cantigas! Já estou farta! Meu débil corpo é pasto de paixões! Não posso acreditar que alguém reparta Comigo, amor, carinho ou ilusões!... Acham minha conduta degradante… Mas os que me procuram, são iguais! Chamam-me ser imundo e repugnante!? Porém os que me compram, não são mais!? Uma réstia de esperança me conforta: Lanço um olhar à gruta de Belém… Servir de mofa aos homens… que me importa!? Cristo, ao morrer, transforma o mal em bem… Esta vida corrupta chega ao fim… Vou partir, sempre em busca da verdade… Deus sabe o que sofri, vivendo assim… Justiça, após a morte, é caridade!...

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