
Requiem de um botão e a saudade que deixou.
Data 26/11/2012 22:12:10 | Tópico: Poemas
| Foi num dia assim, de solarenga invernia ao som das badaladas da torre que foi a enterrar. À frente seguia o carro fúnebre numa marcha compassada pelo motor rocinante e cansado de choros. Atrás a família chegada lamentava-lhe o funesto fim, o quanto lhes eram chegados, o quanto gostavam de o ter ali ao pé, como era jeitoso e cúmplice nas horas vagas: - Coitadinho que assim se foi…- Diziam uns. - Foi-se como um passarinho…- Diziam outros. E a marcha fazia-se imperturbável rumo à última morada. Mais atrás a turba da grei feita gente com os chorrilhos do costume. Todos a dizer bem do defunto que assim se chegava à terra em quatro tábuas adornado. -Eu nunca precisei dele mas gostava de o saber ali, não incomodava ninguém.- Diziam quase todos. Ao lado os curiosos viam o féretro passar sem melancolia nem nostalgia, alguns com vontade até de aplaudir a morte tardia da vetusta figura sem utilidade.
Nem na morte agradamos a todos!
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