
EU COM RAIVA DE MIM
Data 14/11/2012 00:31:27 | Tópico: Poemas
| ________________________________________________ Isabelle Bryer
EU COM RAIVA DE MIM
Conto o dinheiro, as horas, as vezes em que esqueci de ser borboleta porque ser lagarta era quase mais fácil.
Escrevo para mim mesma um improvável poema, uma coisa lamentável sobre uma existência que não está condenada á liberdade. ( porque ser livre dói demais)
Fiz esta pequena escolha. (Fiz?) Eu já tinha esse rosto, essa pele, essas esquisitices que quando não me imortalizam por um minuto, choram por mim.
Estou numa fase confessional, assassinando a poesia e convencendo-a de que só faltam as rimas. Estou lucidamente vendo águas paradas e precipícios saudáveis.
Não direi que amanhã vou acordar para uma outra promessa: o sol continuará longe e tudo será inviolável como sempre foi, inclusive a minha falta de respeito pelos dias melhores. Eles não virão com o décimo-terceiro.
Minha agenda capitalista acorda todo dia cansada, lenta e desleal.
Amanhã vou contar tudo novamente e respirar aliviada por algo que desconheço.
Não vou mais violentar a esperança e fazê-la abrir as pernas para mim.
Se alguém desconfia que isso não é vida, fique calado e letal.
Isso é por enquanto. (Por enquanto sempre foi uma conjunção subordinada demais para relacionar as minhas orações)
Karla Bardanza
Copyright © 2012 Karla Bardanza
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