
À roda da espontaneidade
Data 12/11/2012 13:21:29 | Tópico: Poemas -> Amor
| Imaginei-nos no jardim A dançar a chuva Como no filme dessa tarde. Teci à tua volta um vestido vermelho. Era Outubro. Tinhas tambem um casaco preto, (daqueles estilo fato), Porque estava um pouco de frio. Trouxemos uns fones que metemos nas orelhas E tiramos logo a seguir. Quiseste que a chuva fosse o ritmo E a pouco nós construíamos a música Para dançar-mos E girámos juntos colados um ao outro. Girámos como que fossemos nós A ditar o girar da própria terra. Os teus cabelos ensopados giravam também Dançando ao som das tuas gargalhadas. E tu sorrias E eu sorria tambem: Porque estávamos felizes. Porque eu estava feliz. Porque tu estavas feliz. Porque não nos importamos com isso; Nem com todas as coisas que o mundo impõe. Nunca em vida ou morte; Ou no que quer que exista depois; Me esquecerei do teu sorriso, Do brilho que tinhas nos olhos Quando eu me aproximei E troquei o ar pelos teus lábios. Sabias a morango. O toque gelado da tua mão no meu pescoço. Causou-me um arrepio tal Que por segundos pensei Não ter terra nenhuma debaixo dos meus pés... Imaginei-nos no jardim À noite a dançar ao som da chuva Depois de uma sessão de cinema. Tu de vestido vermelho E eu nas minhas roupas simples de sempre. Não importa quais, Porque o centro do sonho Da imaginação Da vida e dessa "não-vida", Sempre foste tu.
E amanhã teremos outra aventura Inventar-nos-ei diferentes do hoje, Diferentes de outro sonho Que algumas vez o tenha sido. Amar-nos-e-mos de maneira diferente; Fará sol ou outra vez chuva Ou outro clima e sítio qualquer. Viveremos noutros tempos Com outras impossibilidades Dentro das ínfimas possibilidades que existem desde sempre. Ou então vou só deixar o capítulo em aberto; Pra quando entrares na minha vida, Assim de repente Ou aos poucos; Ter-mos uma outra aventura qualquer; Ali criada, À roda; No centro da espontâneadade...
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