
Silencioso delirium
Data 03/11/2012 13:07:33 | Tópico: Poemas
| Foi numa rua escura que os lábios da noite me tocaram no rosto!
Buscavam novo-rumo, nova-Alma, novo-ser ...
Mas era tarde, tão tarde, quando a noite já cansada, desabrida e incólume, se fechou sobre si mesma ... melancólica!
E o silêncio ruiu, o medo saiu à rua com medo da noite, cantou-se o fado, soaram gritos-de-mulher, passos-de-Homem ... tanto desassossego nos enredos do tempo, no lume-dos-sentidos.
E ecoava lá longe, distante: "Ai-de-mim! ...", tão longe, em palcos longínquos, em eras-distantes ... era eu, pesadelo de mim próprio, delírio-de-delírio, lâmina do impróprio! Faca de dois gumes, lâmina de dois cortes, era a roda do destino!
Mas às vezes esse silêncio não passa d'um delirium ...
Ricardo Louro
no Chiado em Lisboa
|
|