
Supernova
Data 20/10/2012 19:20:37 | Tópico: Poemas
| "Porque tu és pó e ao pó retornarás" (Gn.3:19)
A supernova É flor de raios Apavorando Floricultores, A tantos povos A contemplarem Imenso brilho, Origem e fonte De todo o riso, Do todo o choro E da pergunta Sobre o que somos, Para onde vamos.
A supernova É nossa mãe E nosso pai, Deu causa a tudo, Ao teu destino E à nossa fé, Gerou profana Buracos negros Insaciáveis E até as unhas Tão comezinhas Do nosso pé.
A supernova É geometria A ejetar-nos Um rubro espectro, Etéreo aspecto, A quintessência De todo o cosmo.
A supernova É substância, Todo o minério Do teu planeta, O claro enigma Do teu mistério.
A supernova É ferro e cálcio Carbono e boro, Matéria orgânica Do teu desterro Em supersônica Exsudação.
A supernova É festa e luz, Tão branca luz, Tão fero brilho È vida e morte A explodir No céu da China, Em Cassiopéia E na Serpente Ao olho enorme De Brahe e Kepler.
A supernova De nada esquece E a si requer Matéria outrora A ti emprestada.
A supernova Está no fundo Do altivo céu, Além do véu Do firmamento, Na grande Nuvem De Magalhães Que se te espelha Destino e halo.
A supernova Não mente ou ri, Te dá o dente, Depois o toma, É tua origem, É tua esfinge Espelho e berço De todo o fim.
A supernova É muito séria, Térmico útero, Fornalha cósmica Colapsada, A Sanduleak Brilhando mais Que a própria Vésper A derramar-se Por vasto céu.
A supernova Encena os céus, Condena os céus Com raios gama E raios-x, Ponteia os astros Do cientista E do menino.
A supernova Que tanto amas Em ti reponta E te reconta A própria imagem, O curso d’água De toda a vida.
A supernova É a inflação De quente lóbulo Que nos semeia Novas estrelas, A sementeira Evanescente Que te refaz E degenera.
A supernova Põe a serviço Toda a matéria, E novas nuvens E nebulosas Que te fecundam E te inoculam Veneno e pólen Do céu longínquo.
A supernova, O bronze e a pátina De novas vidas E novas Terras.
A supernova Deu tempo ao homem E o subtrai Do solo ao cosmo.
A supernova Te dá o câncer E a rara chance De redimir-te Ignorado E ignorando O próprio acaso De toda história.
A supernova, A destrutiva A destruir-se, A destruir-me E a construir-nos Do pó sidéreo.
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