
Malandro na Eleição
Data 06/10/2012 03:03:15 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| "Nunca publiquei obra de terceiros, mas esta fez-se oportuna demais!"
Malandro na Eleição
Era uma vez um malandro Que fugiu da detenção Em tempos longes, mofados De roubo e depravação De malandragem finória Daria até outra história Não fosse a convocatória Duma bendita eleição:
É que o malandro Moleza Como era conhecido Se escondeu num caminhão Pra mode não ser detido.
E deu-se então uma fuga De grande sabedoria Pois tinha sido traçada Com toda geometria: Fugia ali de carona Por debaixo duma lona Por sobre a carroceria.
E já no fim da viagem Quando o caminhão parava Moleza foi espiar Mais ou meno onde é que tava.
Ficou então espantado Sem muita compreensão Pois o caminhão parava No meio duma multidão.
A multidão se empurrava Com festa e reboliço Afinal, ali chegava O palanque do comício De onde os home ia falar E pra Moleza escapar Ia ser um estrupiço.
Com pouco mais foi subindo Aquelas arturidade Pra mode falar pro povo De suas capacidade.
E por debaixo da lona O malandro observou A tal da politicagem Por detrás dos bastidor. Pra sua grande surpresa Viu esperança acesa: A política lhe chamou:
Ouviu um homem falando Com a voz de Senador: – Hoje vai ser moleza Digo a você com certeza Já temos dez orador.
Escutou um esquerdista E agitador sindicá: – Nós exigimo Moleza Pro setor industriá!
Ouviu depois uma dama Com vozeirão de artista Era líder feminista E dos Direito das Mulé Que dizia com brabeza: – Os home só quer Moleza Mas nós mulé também quer!!
Esse magote de gente Usava da esperteza Em nome da capitá E também da redondeza.
Uns falava abaixadinho Mas demonstravam franqueza. De tudo não se sabia Mas lá no fundo se via Que só queria Moleza.
Ouvindo aquele chamado De tamanha envergadura Moleza viu liberdade No lugar da captura No mei da fuga acuada Findava sendo lançada A sua candidatura.
Pra mode sair bonito No pape de orador Moleza foi se alembrando Do que era sabedor:
Aproveitou sua fama De ser grande atirador E se lançou: Pistolão De todos os eleitor.
O cartaz era uma pistola Sobre título eleitorá E uma frase que dizia: Ou você dá voto a mim Ou então vai se lascar.
E pegou o microfone Com a maior desenrolança Falou de roubo, de jogo De traficança e matança Partiu no mei três partido Partiu depois no comprido Dobrou e fez uma trança.
Fez de forma democrática Um acordo partidário Concorda quem é medroso Discorda quem é otário Assim tornou-se prefeito Seu vice não foi eleito Pois faleceu dum disparo.
Pra começar o governo Criou logo um estatuto Onde o produto do roubo E o roubo do produto Ganhava o mesmo valor Pois a ordem dos trator Não altera o viaduto.
Devolveu os objeto De quem já tinha roubado Deu maconha e cocaína Pro eleitor viciado Empregou a mulherada Dos marido que matou Pagou o bicho roubado De cem mil apostador Findou cercando o currá De apoio eleitorá E se fez governador.
(Jessier Quirino)
"Não é a política que transforma o homem em ladrão; É o seu voto, que elege o ladrão, e o transforma em político."
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