Solidão Exótica

Data 03/10/2012 00:03:30 | Tópico: Poemas

Luizinho. Quinze anos. Lindo menino!
Belíssimos olhos azuis, corpo de atleta.
Vivia angustiado, sempre alerta,
Pois era tratado com todos os mimos.

Seus cabelos loiros pareciam seda
E ele os tratava com bastante orgulho,
Mas sua vida era pálida, cheia de embrulhos,
Plena das mais inconfessáveis facetas.

Um dia despiu-se diante do espelho,
Seu corpo imberbe apresentava transformação lenta,
Em sua pele macia a mão desgovernada enfrenta
Uma auto-carícia no púbis branco e vermelho.

Logo uma intensa sensibilidade aflora
E ele se vê envolto em grande excitação,
Sua mão nas órbitas faz dançar num enorme tesão
Um espesso conteúdo que traz o tremor da aorta.

A outra mão percorre o tórax de veludo
Em que pequenos mamilos estão cheios de desejo,
Os dedos apertam levemente essa vitrine de lampejos
E da boca escapam exóticos delírios sobre o corpo desnudo.

O baile das mãos silencia o agitado coração
E no auge do prazer ouve-se um último gemido,
A massa branca que navega até o encantador umbigo
É o produto que enobrece singular sensação.

Breve sorriso delata na alegria a auto-afeição
E o espelho fotografa nádegas perfeitas,
Um banho revigora as energias desfeitas,
Mas as horas retomam uma rotina carente de emoção.



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