
Pantominas
Data 02/10/2012 08:36:41 | Tópico: Poemas
| É difícil bordar sorrisos No pano-cru da tua ausência. Amaldiçoo esta realidade que as leis da física não me sabem explicar, O tempo encurta quando estamos juntos, Estendem-se na imensidão do espaço, Entre estrelas, galáxias, buracos negros ou simplesmente poeira cósmica, Quando estás longe. Queria dizer-te como é difícil olhar esta rua deserta, Sem sentir os teus beijo nas manhãs mais nostálgicas. Desejo afagar os teus cabelos, Vou tentando adivinhar o som da tua voz Entre os pregões, as vozes sussurradas, O restolho dos passos apressados, O piar das gaivotas que ficam em terra Quando a neblina acasala com o Tejo. A noite sempre foi o meu refugio, Mas transformou-se agora em desalento, Sobre o meu peito, apenas habita o vazio No lugar onde a tua cabeça descansou. Eu queria ter-te dito: Fica comigo esta noite.
Mas não ficarás comigo esta noite, Nem ficarás num qualquer dia Dos dias seguintes. Tento escalar com os dedos em sangue A pedras graníticas dos muros de silêncio Que tu ergueste paulatinamente. Os muros assim erguidos alimentam os musgos E segregam a cor e o odor das flores. Incertezas quem não as têm? Eu sei que nunca fui um dilema de fábulas de encantar, E mais que um charlatão, Sinto-me um actor que faz das ilusões pantomimas. Amanhã, quando me olhar de novo ao espelho, Sei que não me irei espantar Ao descobrir que já esqueci o teu nome. E sem nome, Não haverá mais memórias.
|
|