************************************************** Quadro de Zhao Chu
Estigma e Estilete
Se eu te disser que tudo isso é uma alegria obscena, uma liturgia para orquídeas, você me mostraria teus dentes distanciados da leveza das pétalas?
Porque agora, bem agora, cabe apenas a vontade de desfolhar o mal-me-quer de dentro de mim e dançar cosmicamente por entre todas as flores em profundo desapêgo e mansidão.
(É primavera)
E eu já me reparto pelas estrelas, pelas coisas inalcançáveis e verdadeiras, pelos risos, pelas rosas sempre arreganhando-se cada vez mais para mim.
Se eu te disser que por trás da folha esconde-se o que é essencial, poderias ver os acordes espalhando-se pelo silêncio das begônias?
Porque eu tenho uma estrela azul na testa e a minha lucidez engasga as ovelhas e os seus pastores. Abri as aléias de meu coração para receber todas as bençãos em pétalas, abri as sementes com as mãos sujas de terra e esperanças.
Floresço junto com Ostara. Falta pouco para a roda girar e as árvores latejarem no meu corpo telúrico. Quanto a mim, nada posso além das perguntas guardadas entre o estigma e o estilete esperando para descabelar os teus horizontes. Quando a mim, apenas a necessidade desse estado permanente de flor.