
Poema
Data 15/09/2012 13:24:57 | Tópico: Poemas
| Durante horas de silêncio e sono, De leitura e angústia, Ante o cânone, ante incompreensível estro, Ante confuso mundo, de tão claros enigmas, Eu não sabia, Mas o poema sempre esteve ali, Qual ferida ou queixume, Qual fruto ou negrume. Deu o tempo e a técnica se fez no sofrimento: - Fiat! disse algo dentro de mim E, entre o fulgor e a escuridão, tímido, na penumbra, Entre utopias deglutidas, Poentas brochuras E defuntas armas e canções Contra os donos da ordem e do tempo, Algo fundo revelou-se, Fosso, abismo, Exasperado grito Ou simples pomo pendido. Deu a hora e me precipitei, Colhi o poema, Trinquei os dentes nele E o apreciei deveras, Vociferado, em profundo negror Com a boca esfaimada do mundo. Senti sumo acre, Sabor amaro, Iniludível E abismal. Gostei E não senti qualquer contentamento! Hoje, ofereço-o, Oceano ou ruína, Fruto Ou salto no abismo, A quem quiser Algo diferente do ópio, da fuga, da nuvem E do frenesi diário e intenso, Para sempre infenso Às águas que afluem da memória
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