
Roteiros Andaluzes - I - Córdoba
Data 03/09/2012 10:18:52 | Tópico: Poemas
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chegaste já no final do entardecer, quando o sol queimava a ponte romana sobre o Guadalquivir (sempre turvo), e atravessaste as ruelas junto à mesquita-catedral – na magistral gonzalez frances, onde a sombra te aliviou por um momento a fé;
pelo bairro judeu caminhas às avessas, tens todo o tempo para perder no Sepharad antigo e o tetramorfo bíblico de Ezequiel arde-te no estômago com um Cava Freixenet Extra perigosíssimo:
Marcos, o Leão Mateus, o Cordeiro João, a Águia Lucas, o Touro
tu viste-o na mesquita, adivinhaste-o depois junto da estátua de maimónides, onde a sabedoria se une ao caminhante pela magia simpática de um simples toque;
agora anoitece, os luzeiros descem no horizonte e inflamam de escarlate as fachadas tão antigas como o sonho visigótico;
tudo o que foste até chegares a esta cidade dos califas é tão etéreo como um bilhete esquecido e agora podes interromper o fluxo das galáxias que se expandem junto a este Guadalquivir (sempre turvo) e sabes o segredo porque é o segredo o instante é onde tudo é panta rei do tempo curvo;
e tu agora sabes o segredo
não se deve, jamais, olhar atrás
ou o tetramorfo fará de ti mulher de Lot;
castigada impura,
petrificada em estátua de sal.
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