
Trinta de Julho
Data 22/08/2012 21:03:31 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Fernanda! Bem sei que não é para tanto Que empilha teu corpo num canto É possível sentir tua dor, teu desatino Ao som estridente do violino Como o frio que lhe rasga o tímpano;
Como ópera detentora de tua alma Como letra corrupta, e nua que te vara Teu tremor em estupor me aniquila São tantos julhos que parecem tua sina A tua alma congelada que apaga até a pira;
Ignoras a dor do parto e do enfarto Ao te sentir sozinha na penumbra do teu quarto Pior seriam teus pés sem as duas meias Meia hora do dia tão fria Meia hora da noite sem cobrir tua orelha.
Na fresta da porta-janela o ar que penetra Parece cercar atrita a mulher que detesta A fria parede que mente a textura Calendário de Julho, dia trinta que dura A singela Fernanda, não tem previsão e nem cura;
La fora a pasma lua brinca no frio do açoite Feito pedra de gelo no amargo vinho da noite A chuva parece cair como ponta de faca No quarto a sensação do inusitado frio A procura do teu coração como estaca;
Fernanda! Bem sei que há de duvidar Que no virar do calendário A primavera há de chegar... Não mais tomarás a lã da cachorra branca O sangue da ferida do teu pulso estanca Pois o Julho da folhinha a de arrancar E um Setembro se aproxima a te esquentar.
Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli Village, Maio de 2008 no dia 02.
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