
Domingo com minha mãe e Bukowski
Data 22/08/2012 00:18:27 | Tópico: Poemas
| Domingo com minha mãe e Bukowski
Ainda posso sentir a dor do pé torcido Fiz do velho sofá meu leito diário Numa típica manhã de domingo Pego o telefone e chamo minha mãe Detesto estar só em casa sentindo-me um nada devido ao pé que torci _Alô, mãe? Vem ficar comigo? E ela veio. Ensinei-lhe o ônibus que devia pegar. Enquanto ela não chegava entrei num estado catatônico A fitar o ventilador de teto Lá fora as gaivotas cantavam alegres Um colibri veio até a minha varanda em busca de uma flor que eu não tenho E eu aqui presa no sofá matando um tempo que não passa No meu estado de catatonia reflito sobre a triste condição humana: Por que nos sentimos tão frágeis quando privados do uso de um dos nossos membros? Não posso ficar de pé! Não posso tomar um simples café Sem que alguém traga para mim... Sentia-me tão impotente! Meu pé direito quase que engessado E eu a pensar sobre as besteiras da vida... Ding! Dong! Ah! Finalmente ela chegou... Salva pelo gongo. _Entre mãe! Dou-lhe um beijo e um abraço. Depois, pulando numa perna só, Volto para o velho sofá já fundo na medida certa da minha bunda... Tédio! (Mais três dias assim) A pia já estava lotada de louça suja A casa toda estava uma bagunça... Ela deixou a cozinha brilhando de limpa... Enquanto ela aspirava a casa e o tapete Eu folheava poemas de Bukowski. “de fato, não há qualquer chance: Estamos todos presos a um destino singular “. Num poema em que ele estava ‘sozinho com todo mundo’. Concluí que o amor é mesmo um cão dos diabos! Após o café da tarde ela se foi... E eu não senti sozinha no mundo!
Brendda Neves 21-08-2012
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