
O MISTÉRIO DA EXPONENCIAL (de "Vozes do Aquém")
Data 31/07/2012 00:17:52 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Ao tocar com a ponta do dedo a gota de orvalho que escapa da folha, para me fazer cócegas, multiplico totalmente o meu desejo de ser eterno, não para durar, mas para gastar com toda pompa cada uma dessas pequenas regalias, que, paradoxalmente, o mundo das coisas coloca no caminho do Espírito.
Creio no poder da exponencial, mas não cegamente, e, por isso mesmo, sou compelido a experimentar com a boca e com o nariz, colocando entre parênteses a incógnita, já que decifrá-la pode significar antecipar, o que seria tudo que não quero.
Ao contrário do pião, a espiral é variável, dependendo da linha, para rodar e retornar ao ponto de origem, se é que a base esteja plana e vazia de líquidos.
As nuvens são vitais, para dar repouso aos anjos e alimentar os meus sonhos, amolecendo um pouco os números, que quase formam palavras e falam.
O vento, guardado nos montes, desaba afinal arrancando de cima da mesa o broche prateado, o qual, porém, não cai, já que sua ponta serve para arranhar a página do destino, freando de novo meu ímpeto juvenil e fora de hora.
Só me cabe não passar do ponto, embora tudo leve ao retardo, senão os estampidos da finitude se quebrando de encontro aos fiordes do fim do mundo.
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