
POETA DA LUA TOMO 1 - PEQUENO TEXTO
Data 25/07/2012 14:38:38 | Tópico: Poemas
| Lembrava- se de um comentário feito na catequese: “Um homem fazer coisas com outro homem é pecado!” Nunca entendeu aquilo das “coisas”, mas assustava- o o panorama do inferno e do purgatório. Sabia que Deus, ou fosse quem fosse, não perdoava tais luxúrias e que podia ser excomungado. Que lhe aconteceria se o excomungassem? Deixaria de ser o Alexandre? Não sabia, mas temia. Mais importante que tudo: Se lhe perguntassem se gostava de homens, encolheria os ombros. Não sabia responder porque nunca tinha pensado nisso. O que conhecia até aí era o prazer da masturbação, que também era pecado, como dissera o padre. O prazer a dois, que descobrira com Leonardo, era uma novidade. Nada sério. Apenas... prazer. Um prazer que o fascinava e motivava a repetir; talvez mais como a prática saudável de um desporto que se gosta e não enferma. Como vantagem, a gabarolice de contar algumas aventuras sexuais em segredo, junto dos amigos, substituindo o personagem dos desvarios por uma fêmea. Como se sentia importante quando os colegas paravam para o ouvir contar as mais picantes aventuras! Sonhava muitas vezes com rapazes, mesmo antes de Leonardo ter aparecido no seu caminho. Conhecidos e estranhos povoavam o sono e excitavam- no. Se as relações sexuais não existiam no deleitoso sono, a sedução estava presente nos pequenos toques, nas poses, no prazer do convívio, como se um apelo lançado por todos o impelisse ao bem- estar provocado pelo desejo. Quando isso ocorria acordava excitado e extasiado. Nunca confidenciara com ninguém tais situações. Eram íntimas demais para partilhá- las, inclusive com amigos. Que pensariam dele? Dentro de si as questões reproduziam- se como insectos à beira de um riacho, aos quais faltava alimento. Desconhecia onde procurar respostas. Se não tinha a noção de que isso pudesse ser um problema, para quê procurar uma solução? POETA DA LUA 29
Um pequenino trecho do romance Poeta da Lua Tomo 1
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